Palermo: máfia retoma controle em Zen e Sferracavallo; mercado é fechado por 'luto' imposto
Em Palermo, a máfia impõe fechamento do mercado no Zen e intimida comerciantes em Sferracavallo; moradores pedem ação firme do Estado.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Palermo: máfia retoma controle em Zen e Sferracavallo; mercado é fechado por 'luto' imposto
Por Giulliano Martini. Apuração in loco e cruzamento de fontes. Na manhã desta quinta-feira, o tradicional mercado do bairro Zen, em Palermo, não funcionou. Às 9h, horário em que as bancarelle costumam transformar a via em um mosaico de cores e comércio, as barracas permaneceram vazias. Comerciante informaram ao repórter que a paralisação decorreu de uma imposição divulgada nas redes sociais por uma família do bairro — identificada pelo sobrenome Barone — que pediu a suspensão do mercado “por lutto” em razão de um funeral “importante”.
Segundo relatos colhidos no local, o aviso foi compartilhado em uma página do Facebook vinculada à família e transmitido rapidamente entre os ambulanti. “O mercado é chiuso per lutto”, repetiam os vendedores que preferiram manter o anonimato. A ordem informal teve efeito prático: comerciantes foram impedidos de montar gazebos e ocupar o espaço público onde semanalmente negociam alimentos e produtos.
Deputados e conselheiros municipais — entre eles o regional Ismaele La Vardera e os vereadores Giulia Argiroffi e Ugo Forello — foram os primeiros a denunciar o ocorrido. Em comunicado conjunto, qualificaram o episódio como uma imposição com método mafioso, lembrando que a família mencionada está ligada a um indivíduo já indiciado na operação Bivio, conduzida pelos carabinieri em 2021 no mandamento San Lorenzo–Tommaso Natale.
“Ninguém pode substituir-se ao Estado”, disse um dos vereadores. O tom é de frustração: bastaria — afirmam residentes — uma ação preventiva das forças de segurança para impedir que a mensagem se espalhasse entre os ambulanti. “Eles foram mais rápidos”, resume um morador, em referência aos emissários que circularam o pedido de fechamento.
O episódio no Zen se soma a uma nova onda de intimidações registradas em Sferracavallo, a curta distância do bairro. Na madrugada anterior, comerciantes locais receberam ameaças; nos últimos meses, a borgata vem sendo alvo de ações de violência, incluindo um ataque com fuzis Kalashnikov contra um restaurante e um autolavaggio. Moradores e representantes locais reclamam a ausência de um presídio policial fixo: o conselheiro de circunscrição Simone Aiello afirmou ter visto negada pelo município a realização de um conselho comunal extraordinário na área.
O assessor municipal de Atividades Produtivas, Guliano Forzinetti, compareceu ao local no final da manhã e constatou a realidade: naquele dia, o Estado perdeu a disputa simbólica pela ocupação do território. A sensação dominante entre comerciantes e cidadãos é de impotência diante de um sistema de intimidação que opera tanto nas ruas quanto nas redes sociais.
O quadro configura um alerta sobre a persistência e a adaptação do controle mafioso em áreas urbanas populares. As autoridades locais foram acionadas, e procedimentos de investigação e vigilância foram reivindicados por representantes políticos e civis. A comunidade exige respostas práticas: presença policial reforçada, inquéritos céleres e proteção aos comerciantes que se recusam a ceder às pressões.
Fatos brutos, depoimentos diretos e cruzamento de fontes apontam para uma realidade clara: o crime organizado reconstrói mecanismos de influência sobre o cotidiano quando o aparato estatal falha em visibilidade e rapidez. A apuração continua em Palermo.