Prato: agente penitenciário indiciado por tentativa de homicídio após disparos no pronto-socorro
Agente penitenciário é indiciado por tentativa de homicídio após disparos no pronto-socorro de Prato; imagens e inquérito definem a dinâmica dos fatos.
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Prato: agente penitenciário indiciado por tentativa de homicídio após disparos no pronto-socorro
Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes mostram que é indiciado por tentativa de homicídio o agente penitenciário que, no pronto-socorro de Prato, disparou três vezes com a pistola de serviço e atingiu, com um único projétil, um jovem marroquino de 22 anos na perna, enquanto o detido tentava escapar da área das ambulâncias.
O episódio ocorreu quando o homem — que havia sido preso cerca de uma hora antes, suspeito de lançar pacotes com drogas e celulares para dentro do perímetro prisional — era escoltado para atendimento médico. O agente, em serviço há 18 meses e originário de Benevento, não estava sozinho: havia dois agentes penitenciários responsáveis pela guarda do preso. Segundo reconstrução do procurador Luca Tescaroli, quando o detido tentou fugir, ainda algemado, “em um ambiente fechado do qual não podia sair”, os agentes tentaram alcançá‑lo. “Um dos dois disparou contra o rapaz três vezes, e com um dos tiros o atingiu”, afirmou o magistrado.
O enquadramento legal foi anunciado de forma incisiva pelo Ministério Público: o agente foi inscrito no registro de investigados pela suspeita de tentativa de homicídio porque, na avaliação do procurador, disparou em local de onde o preso já não tinha condições de escapar. “Os filmes adquiridos mostram a dinâmica dos fatos”, declarou Tescaroli, referindo‑se às imagens de vigilância obtidas pela investigação.
Do lado da defesa e do cenário político, a reação foi imediata. O ministro das Infraestruturas, Matteo Salvini, manifestou apoio público ao servidor: “Total apoio ao agente — disse —. Outro que ‘tentativa de homicídio’: ele fez apenas o seu trabalho, parou um delinquente perigoso e protegeu a segurança de dezenas de cidadãos de bem”. O advogado de defesa, Vittorio Luigi Fucci, invocou a aplicação do novo decreto de segurança, que alterou o art. 335 do Código de Processo Penal e prevê anotação preliminar no modelo 45 bis, impedindo em certos casos a inscrição automática no registro de indiciados quando o ato praticado em serviço sugere causa de justificação.
O agente foi interrogado pelo Ministério Público na tarde do mesmo dia. Sindicatos de segurança penitenciária também se pronunciaram. O Sappe relatou que o detido agrediu e feriu os dois agentes ao tentar escapar: teria pegado um extintor mesmo com as mãos algemadas, pulverizado o conteúdo e atacado os servidores, causando fratura em uma das mãos de um dos agentes — lesão com prognóstico de 30 dias — e ferimentos no outro, com 10 dias de prognóstico, segundo o secretário regional da Toscana, Francesco Oliviero.
De acordo com os relatos sindicais, a fuga prosseguiu até a área de chegada das ambulâncias, onde foram efetuados os três disparos; o terceiro projétil atingiu a perna do fugitivo, imobilizando‑o. Oliviero qualificou como “um milagre” o fato de não ter havido consequências mais graves para profissionais de saúde ou cidadãos presentes.
O jovem de 22 anos é ex‑detento e havia sido detido com dois comparsas por arremessar, por sobre o perímetro da prisão, pacotes contendo cerca de 600 gramas de haxixe e dois telemóveis, que seriam recolhidos por um recluso no interior.
A cobertura segue em desenvolvimento: há inquérito em andamento, imagens sendo analisadas e diligências previstas para aprofundar a cronologia dos fatos. A linha do Ministério Público é investigar se os disparos foram efetuados em situação em que já não havia risco de fuga, ponto central para a tipificação do crime de tentativa de homicídio.