Prato: desarticulada 'banco-fantasma' que movimentava €80-100 milhões/ano entre drogas, comércio e imigração ilegal

Operação em Prato desmonta banco-fantasma que movimentava €80-100M/ano via hawala, ligando tráfico, comércio ilegal e imigração clandestina.

Prato: desarticulada 'banco-fantasma' que movimentava €80-100 milhões/ano entre drogas, comércio e imigração ilegal

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Prato: desarticulada 'banco-fantasma' que movimentava €80-100 milhões/ano entre drogas, comércio e imigração ilegal

Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes indicam a descoberta, em Prato, de um **banco-fantasma** capaz de movimentar entre €80 e €100 milhões por ano em pagamentos não rastreáveis ligados a partidas de droga e comércio de mercadorias entre a Itália e mercados externos.

As investigações da DDA de Florença e da Procuradoria de Prato identificaram três associações criminosas que se beneficiavam do esquema: uma dedicada ao **lavagem de dinheiro** proveniente do narcotráfico, outra ao **tráfico internacional de drogas** e uma terceira especializada na promoção de **imigração clandestina** de cidadãos chineses.

Segundo o relatório policial, a estrutura operava como serviço financeiro paralelo, com elevada profissionalidade e periculosidade, funcionando por pelo menos três anos. Para efetivar os pagamentos, os investigados utilizaram o sistema de transferência informal conhecido como **hawala** — referido na China como “chop-shop” — cujo traço distintivo é a ausência de traçabilidade formal. O serviço foi usado por grupos italianos, chineses e albaneses.

O mecanismo envolvia uma densa rede de correios e recolhedores de numerário que circulavam entre Itália, Espanha, França e Portugal. Para reduzir o risco de apreensão do dinheiro ligado à droga durante fiscalizações transfronteiriças, as transações eram frequentemente dissimuladas em fluxos de caixa “a negro” de empresas têxteis chinesas do setor de pronto-moda. A investigação mapeou ligações comerciais entre o distrito têxtil de Prato e polos produtivos na Península Ibérica — com empresas de Madrid, Málaga, Valência e Sevilha sendo utilizadas para materializar pagamentos.

Foi também detectada uma conexão direta entre o topo organizacional — que atuava com modus operandi de corretores financeiros — e grupos albaneses que buscavam reciclar lucros do tráfico de entorpecentes, atuando como clientes do serviço.

O juiz das investigações autorizou o sequestro preventivo de bens no valor de €60 milhões e determinou 41 medidas cautelares: 17 prisões em regime fechado e 16 domiciliares. A DDA estima a capacidade operacional ilícita do esquema em 80–100 milhões de euros por ano, sustentada por operações combinadas de narcotráfico internacional e fraudes fiscais.

O flagrante também aponta agravantes de natureza mafiosa: o **banco-fantasma** teria prestado serviços de pagamentos "black" a organizações criminosas já identificadas, entre elas o clã Briganti (Sacra Corona Unita), a 'ndrina Fiare‑Razionale‑Gasparro de San Gregorio d'Ippona (Vibo Valentia) e o grupo camorrista Aquino‑Annunziata.

No âmbito da imigração clandestina, o grupo chinês havia criado uma rota via Sérvia — país fora do espaço Schengen e que não exige visto de entrada para cidadãos chineses — hospedando migrantes em hotéis de Belgrado antes de encaminhá‑los por Hungria e Eslovênia até destinos finais em Prato, Turim e Sommacampagna (Verona). Cada entrada ilegal gerava lucro de €9.500 por pessoa.

Os elementos recolhidos durante a investigação serão agora submetidos à análise judicial e a operação prossegue com diligências dirigidas à recuperação de ativos e à identificação de eventuais ramificações internacionais do esquema. Rigor técnico e verificação cruzada das provas permanecerão como prioridade no acompanhamento deste caso.