Procuradora-Geral de Turim acusa CSM de subestimar presença das mafias no Norte
Procuradora-Geral de Turim, Lucia Musti, acusa CSM de subestimar presença das mafias no Norte e alerta para infiltração econômica e administrativa.
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Procuradora-Geral de Turim acusa CSM de subestimar presença das mafias no Norte
Por Giulliano Martini. A Procuradora-Geral de Turim, Lucia Musti, em pronunciamento público, afirmou que o CSM (Consiglio Superiore della Magistratura) pode estar negligenciando a presença e o enraizamento das mafias nas regiões do Norte e do Centro-Norte da Itália. A observação foi feita logo após a deliberação do CSM, de 12 de junho de 2026, que identificou os distritos judiciários considerados de alta densidade mafiosa apenas para fins de aplicação de normas sobre a direção de órgãos judiciais.
Sem “entrar no mérito” do texto da delibera — expressão usada pela própria magistrada — Musti ressalta que a escolha de concentrar a qualificação de distritos mafiosos essencialmente nas regiões do Sul, além de Roma, não parece levar em conta “a atividade contínua da Polícia Judiciária, coordenada pelas DDA (Direções Distrettuali Antimafia) das Procuradorias da República de Torino, Milão, Bolonha, Veneza e, mais recentemente, Trento”.
Segundo a Procuradora-Geral, essa atuação investigativa tem se dirigido sobretudo contra as chamadas 'ndrine que escolheram as regiões mais ricas do Centro-Norte para se instalar e desenvolver atividades econômicas, entre as quais construção civil, turismo, prestação de serviços, recuperação de créditos a custos reduzidos, logística e gestão de resíduos. Musti destaca ainda a utilização de crimes de natureza econômica e a colaboração de operadores dos chamados “colarinhos brancos”.
“A intensa atividade investigativa levou ao trânsito em julgado de numerosas sentenças que, em fato e direito, qualificaram nossos territórios como zonas de densidade mafiosa, em função dos títulos de crime”, declarou a magistrada. No quadro do distretto do Piemonte e da Valle d'Aosta, Musti aponta inclusive fenômenos de condicionamento mafioso sobre estruturas administrativas locais, sinalizando um nível de penetração que, em sua avaliação, exige resposta institucional adequada.
O comunicado de Musti funciona como um alerta técnico: não se trata de uma denúncia político‑partidária, mas de uma constatação baseada em decisões judiciais transitadas e no trabalho de investigação coordenada pelas DDA. Trata‑se, nas palavras da Procuradora-Geral, de “fatos brutos” corroborados por sentenças que documentam a presença organizada de grupos mafiosos fora do eixo tradicional do Sul.
Como repórter com apuração in loco e cruzamento de fontes, registro que a crítica de Musti incide sobre um ponto concreto da política judicial: a identificação dos locais que devem receber tratamento diferenciado no âmbito da gestão de pessoal e de direção dos órgãos judiciais. A definição de tais zonas tem implicações administrativas e operacionais diretas sobre como a magistratura e as forças de segurança serão estruturas para enfrentar as organizações criminosas.
O debate agora se desloca do plano técnico‑jurídico para o institucional: cabe ao CSM responder às observações com dados e critérios que expliquem a escolha dos distritos apontados, e às instituições locais e centrais fortalecer o combate às infiltrações mafiosas no Norte. A realidade traduzida pelas sentenças e pela investigação exige medidas proporcionais e bem calibradas.