Retratação complica caso Minetti; empresa de Cipriani move ação de US$250 milhões contra Il Fatto e Rai
Ex-massagista retrata acusações sobre Nicole Minetti; Cipriani processa Il Fatto e Rai, pedindo US$250 mi e €5 mi por danos à reputação.
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Retratação complica caso Minetti; empresa de Cipriani move ação de US$250 milhões contra Il Fatto e Rai
Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes: o caso em torno da graça concedida a Nicole Minetti ganhou novo capítulo após a completa retratação de uma das principais testemunhas que havia dado origem a graves acusações publicadas pela imprensa italiana.
Graciela Mabel De Los Santos Torres, ex-massagista da propriedade uruguaia conhecida como "Gin Tonic", administrada por Giuseppe Cipriani, submeteu declaração juramentada a um notário em 29 de maio e nela desmentiu integralmente as imputações divulgadas pelo Il Fatto Quotidiano. Segundo o documento, tornado público pelo quotidiano Il Domani, De Los Santos afirma que "durante todo o período em que trabalhei na 'Chacra Gin Tonic' não assisti nem me consta com certeza que a senhora Minetti estivesse envolvida em qualquer operação destinada a procurar, recrutar, empregar ou de qualquer modo induzir ou convidar prostitutas a qualquer lugar".
Na declaração, a ex-funcionária sustenta ainda que partes de suas declarações foram "extraídas do contexto" e que sofreu uma "exposição pública não desejada". A testemunha também relata que, após a adoção do filho por Cipriani e Minetti, a atenção do casal centrou-se nos cuidados e na educação da criança. Com relação a Cipriani, De Los Santos descreve ter vivenciado uma "situação de molestia lavorativa" resolvida por meio de um acordo transacional.
A retratação ocorre na esteira da publicação, em 8 de junho, de trocas de mensagens entre a testemunha e o jornal dirigido por Marco Travaglio. Em diálogos anteriores, De Los Santos havia autorizado o uso de seu nome em 9 de maio, mas reviu esse consentimento entre 10 e 11 de maio, considerando a redação da matéria "não desejada dessa forma" e manifestando apreensão com referências a imigração e passaporte. Depois da veiculação, ela teria escrito: "Sta per esplodere tutto e io rimarrò bloccata qui… La mia vita è finita"; a partir de 13 de maio cessaram-se os contatos.
Em reação, a estrutura jurídica de Cipriani e de Minetti deu início a ofensiva judicial. A sociedade ligada a Giuseppe Cipriani protocolou na Corte distrital de Nova York uma ação contra o Il Fatto Quotidiano e a Rai reivindicando 250 milhões de dólares, qualificando como "manifesta-mente falsas" as acusações sobre festas com sexo e drogas, as comparações com figuras internacionais como Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell, as supostas corrupções no Uruguai relacionadas à adoção do filho e até mesmo a alegação de um "assassinato" de um advogado — esta última tratada no processo como caso de troca de identidade.
O expediente sublinha que provas reunidas pelas autoridades italianas contradizem as alegações, incluindo declarações juramentadas de pessoal atual e ex-funcionários da "Gin Tonic". Em paralelo, perante o Tribunal de Roma, Cipriani e Minetti acionaram a Società Editoriale Il Fatto, o diretor Marco Travaglio e cerca de quinze jornalistas, pedindo 5 milhões e um centésimo de euro por danos à reputação, honra, imagem, identidade pessoal e privacidade. A primeira audiência de mediação está marcada para 26 de junho.
Fatos brutos e cronologia: a sequência documental — autorização, revogação, publicação, retratação juramentada — constitui o núcleo disputado. A investigação jornalística prossegue, assim como a via judicial. O caso segue sob escrutínio, com a realidade sendo reavaliada à luz das declarações oficiais e das provas oficiais produzidas perante as instâncias competentes.
Apuração contínua. Mantemos o compromisso com a precisão técnica e o cruzamento de fontes enquanto novas peças processuais e documentos oficiais forem tornados públicos.