Aeroportos de Roma avisam risco de caos no verão por controles biométricos da UE
Aeroportos de Roma alertam para risco de caos no verão por falhas no sistema biométrico EES; operadores pedem poder suspender registros temporariamente.
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Aeroportos de Roma avisam risco de caos no verão por controles biométricos da UE
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Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. Os aeroportos de Roma podem ter de suspender temporariamente os controles biométricos exigidos pelo novo sistema europeu Entry-Exit System (EES) durante os picos de tráfego do verão para evitar o que a direção define como risco de caos operacional. A declaração foi dada ao Financial Times por Marco Troncone, CEO da Aeroporti di Roma, responsável pelos terminais de Fiumicino e Ciampino.
"Estamos muito preocupados para o verão", afirmou Troncone ao jornal financeiro. Segundo o executivo, o procedimento do EES tem se mostrado incompatível com os volumes máximos previstos: "o processo se está demonstrando incompatível com i volumi di picco che dovremo affrontare. L'unico modo é aprire la valvola. Não há como completar 100% das gravações". A tradução direta dos fatos brutos indica que os operadores avaliam necessário ativar medidas de contingência para manter a fluidez dos terminais.
O sistema impõe que cidadãos de países extracomunitários registrem impressões digitais e fotografia na primeira entrada ao espaço Schengen. Em vigor desde meados de abril, após sucessivos adiamentos, o início do EES foi marcado por falhas tecnológicas e filas longas mesmo fora dos períodos de maior afluência — problemas que levaram alguns aeroportos a interromper, ainda que parcialmente, a recolha de dados.
Fontes do setor relataram ao Financial Times que os postos automáticos não funcionam sempre e que passageiros já registrados no sistema, que deveriam evitar filas, muitas vezes são obrigados a repetir todo o procedimento, agravando a congestão nas áreas de chegada e partida. "Os processos precisam funcionar melhor", disse Olivier Jankovec, diretor-geral da ACI Europe. "Precisamos que as estações self-service funcionem — e, no momento, não funcionam".
O aumento dos visitantes extracomunitários no verão, incluindo turistas britânicos, intensifica a preocupação. A IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo) alertou que, nos aeroportos mais afetados, os tempos de espera podem chegar a seis horas. Segundo Jankovec, o quadro normativo permite suspender temporariamente a recolha biométrica mediante autorização; já há gestores que interromperam o sistema para desobstruir corredores de passageiros.
Casos práticos foram reportados: no início do mês, alguns aeroportos na Grécia autorizaram cidadãos britânicos a contornarem os controlos do EES para evitar bloqueios. A solicitação dos operadores é clara: para os grandes meses de verão, é necessária a possibilidade de suspender totalmente o registo no EES quando a pressão de tráfego assim o exigir.
Em resposta, um porta-voz da Comissão Europeia afirmou que o sistema está "plenamente operacional em todos os Países Schengen e funciona bem", e assinalou que, na maioria dos casos, os longos tempos de espera não se devem ao funcionamento do EES, mas a fatores preexistentes — carência de pessoal, limitações de infraestrutura e a concentração de voos em determinadas faixas horárias. A Comissão recordou que as regras já incluem margens de flexibilidade para garantir a fluidez dos controlos, inclusive a possibilidade de suspensão temporária da recolha de dados, e que cabe aos Estados-membros assegurar a correta aplicação no terreno.
O quadro verificado combina problemas técnicos pontuais, limitações operacionais e pressão de tráfego sazonal. A leitura técnica e verificável dos fatos revela uma tensão entre o imperativo de segurança biométrica e a necessidade prática de manter a mobilidade durante a alta temporada. As próximas semanas deverão mostrar se as autorizações para suspender o EES serão aplicadas de forma coordenada, ou se os passageiros enfrentarão longas esperas nos principais aeroportos europeus.