San Vito Lo Capo: agressor de 12 anos referencia Tarrant, Gendron e Timofey em mensagens

Agressor de 12 anos em San Vito Lo Capo citou Tarrant, Gendron e Timofey; investigação do ROS busca interlocutores e influências online.

San Vito Lo Capo: agressor de 12 anos referencia Tarrant, Gendron e Timofey em mensagens

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San Vito Lo Capo: agressor de 12 anos referencia Tarrant, Gendron e Timofey em mensagens

Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. Imagens obtidas pela AGI e documentos da investigação mostram que o jovem agressor de 12 anos, que tentou apunhalar um professor na escola de San Vito Lo Capo, havia listado em chats seus alvos preferenciais: "três desavisados muçulmanos da minha classe e uma garota negra" de outra turma.

O menino citou explicitamente, nas mensagens e também em inscrições vistas no capacete usado no ato, os nomes de três massacradores que marcaram atentados recentes e passados: Brenton Tarrant — autor do massacre de Christchurch em 2019, que matou 51 fiéis em duas mesquitas e é autor do manifesto "A grande substituição"; Payton Gendron, responsável pelo ataque em Buffalo em 2022, direcionado contra a população negra local; e Timofey Kulyanov, o adolescente acusado do ataque em dezembro de 2025 em uma escola do distrito de Odintsovo, na região de Moscou, quando foi morto a facadas um menino tajique de dez anos.

Nas imagens analisadas pela reportagem, o menor aparece com um capacete onde consta o nome Timofey e vestia uma camiseta com a inscrição fascista 'Me ne frego'. Testemunhas e perícia confirmam também que o agressor tentou transmitir o ato via telefone celular, numa tentativa de registro em tempo real semelhante a outros atentados inspirados em ideologias extremistas.

Fontes judiciais lembram que os responsáveis pelos ataques citados foram detidos vivos: Tarrant foi condenado na Nova Zelândia a 51 penas de prisão perpétua sem possibilidade de redução; o julgamento de Gendron nos Estados Unidos tem início previsto para agosto. As referências textuais do adolescente siciliano alinham-se a um repertório ideológico que remete, direta ou indiretamente, às teorias supremacistas e xenófobas expostas por Anders Behring Breivik em seu manifesto de 2011, que advogava pela chamada "remigração" até 2083.

Na véspera da tentativa de agressão, o menor escreveu a um conhecido: "Faço isso por motivos políticos. Teoricamente eu gostaria de ser considerado penalmente responsável, mas na Itália menores de 14 anos não podem ser processados. Segundo a lei, o cérebro de um menor de 14 anos não está suficientemente desenvolvido para compreender suas ações". A mensagem foi recuperada durante as escutas e integra o material que agora é analisado pela seção Antiterrorismo do ROS de Palermo.

Investigadores concentram-se, neste momento, em identificar os interlocutores do adolescente nas chats e em plataformas sociais para mapear possíveis influências e instigadores. O objetivo do trabalho policial é discriminar entre celebração de atos já praticados, radicalização via conteúdo online e eventual coautoria ou indução por terceiros.

O episódio reabre o debate sobre radicalização juvenil, lacunas de proteção nas escolas e as respostas institucionais quando atos de violência parecem configurar uma matriz ideológica. A apuração prossegue com perícias digitais, depoimentos de colegas e servidores escolares, e a cooperação com unidades internacionais que investigam a circulação de manifestos e conteúdos extremistas.

Conclusão provisória: trata-se de um caso em que a violência prática e a retórica ideológica convergem num menor que articulou referências a três atiradores emblemáticos do repertório supremacista contemporâneo. A linha de investigação privilegia a elucidação das redes de influência digitais e a responsabilização, na medida do possível, daqueles que possam ter instruído ou incentivado o ato.