Caso Garlasco: Stasi obtém saída noturna e anuncia pedido de revisão para anular condenação
Stasi sai à noite da prisão e anuncia pedido de revisão para anular a condenação no Caso Garlasco; defesa prepara petição à Corte de Apelação de Brescia.
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Caso Garlasco: Stasi obtém saída noturna e anuncia pedido de revisão para anular condenação
Por Giulliano Martini. Em audiência no Tribunal de Supervisão de Milão, Alberto Stasi confirmou que a defesa está preparando a revisão do processo que o condenou a 16 anos pelo homicídio de Chiara Poggi. A confirmação ocorreu no dia 12 de junho, perante o presidente Marcello Bortolato e a magistrada Paola Braggion, quando a autoridade judicial concedeu o affidamento in prova ai servizi sociali.
Segundo as relatórios da equipe penitenciária de Bollate, Stasi, 42 anos, manteve conduta modelo durante o período de reclusão, acumulando benefícios de progressão de pena. Por isso, embora só seja formalmente livre quando tiver cumprido integralmente a pena – o que ocorrerá em cerca de dois anos, descontados os beneficiamentos – desde três dias antes ele não precisa mais retornar para dormir no estabelecimento prisional. Para ele, trata-se de "um novo início": a rotina passa a conciliar trabalho e laços afetivos com maior tranquilidade, sem o retorno noturno à cela que marcava o último ano.
Na audiência, Stasi falou com tom contido sobre a vida na prisão, o emprego e o comportamento observado na casa de reclusão, mas evitou comentários detalhados sobre sua inocência, embora a negue há anos. Referiu, sim, ao trabalho dos seus advogados — Giada Bocellari e Antonio De Rensis — e à preparação de uma petição para levar a revisão perante a Corte de Apelação de Brescia, com o objetivo explícito de anular a sentença de 2015 pelo homicídio de Chiara Poggi.
O procedimento que culminou com o affidamento in prova é distinto do futuro processo de revisão, ainda não iniciado. A substituta Procuradora-Geral Valeria Marino manifestou parecer favorável ao regime de condenação em liberdade assistida, que foi então concedido pelos juízes da Vigilância. No despacho de concessão, os técnicos penitenciários destacaram a "coerência" e a "integridade" demonstrada pelo detento, além de ressaltar a capacidade de resiliência diante da "excepcional" exposição mediática e da reabertura do caso.
O despacho impõe duas obrigações centrais para a execução do benefício: a manutenção do emprego e o uso de parte da remuneração para o ressarcimento à família de Poggi — medida que Stasi já vinha cumprindo. Em paralelo, menciona-se brevemente a nova investigação conduzida pela Promotoria de Pavia, que apontou, segundo os investigadores, Andrea Sempio como possível autor do crime; esse elemento consta apenas para justificar o contexto que motivou a reabertura.
O foco imediato de Stasi é, conforme declarou, ver a sentença anulada por meio da revisão. A defesa afirma trabalhar diretamente na análise dos autos da nova inquirição e na elaboração do pedido que será apresentado à Corte de Apelação de Brescia. A expectativa formal é que o procedimento de revisão permita reavaliar provas e hipóteses, mas, até o início efetivo desse rito, mantêm-se a condenação e as medidas acessórias decorrentes.
Relato e verificação em primeira mão: a concessão do regime assistido marca uma alteração prática na execução da pena, sem, contudo, alterar o quadro penal definitivo até a eventual abertura e conclusão do procedimento de revisão.