Teste genômico Prosigna pode evitar quimioterapia para milhões com câncer de mama, aponta estudo Optima

Estudo Optima indica que o teste genômico Prosigna pode permitir evitar quimioterapia em muitas pacientes com câncer de mama de baixo risco.

Teste genômico Prosigna pode evitar quimioterapia para milhões com câncer de mama, aponta estudo Optima

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GERADO EM: Jun 18, 2026 às 20:22

Teste genômico Prosigna pode evitar quimioterapia para milhões com câncer de mama, aponta estudo Optima

Um teste genômico desenvolvido pelo University College London pode dispensar a quimioterapia em mulheres com câncer de mama de baixo risco molecular. Apresentado no congresso ASCO em Chicago, o estudo Optima acompanhou 4.429 pacientes, revelando que aquelas com escore baixo no teste Prosigna podem ser tratadas apenas com terapia hormonal, sem perda de eficácia. Professor Rob Stein destacou que o estudo visa identificar quem realmente se beneficia da quimioterapia, permitindo evitar seu uso em muitas pacientes. Os resultados sugerem redução do fardo físico e emocional da quimioterapia. O estudo representa um avanço na medicina de precisão e pode levar a uma utilização mais eficiente dos recursos de saúde. Contudo, mais análises são necessárias antes de mudanças nos protocolos.

Fique por dentro de todos os pontos deste artigo lendo a versão completa a seguir.

Por Giulliano Martini — Um teste genômico capaz de identificar pacientes que podem dispensar a quimioterapia está no centro de resultados apresentados no maior congresso oncológico mundial. O estudo Optima, conduzido pelo University College London, indica que mulheres com câncer de mama de baixo risco molecular podem ser tratadas com segurança apenas pela terapia hormonal, sem perda detectável de eficácia clínica.

Os resultados foram divulgados no encontro anual da American Society of Clinical Oncology (ASCO), em Chicago. A pesquisa acompanhou 4.429 pacientes com idade igual ou superior a 40 anos e diagnóstico recente de carcinoma mamário hormônio-positivo — a forma mais comum da doença, responsável por até 80% dos casos globalmente. O recrutamento abrangeu centros no Reino Unido, Noruega, Suécia, Austrália, Nova Zelândia e Tailândia.

O teste usado no estudo foi o Prosigna, fabricado pela empresa diagnóstica Veracyte. A tecnologia avalia a atividade de 50 genes no tecido tumoral, atribui um escore de risco de recidiva em dez anos e classifica o subtipo molecular do tumor. No protocolo do Optima, pacientes foram randomizadas entre um grupo de tratamento padrão — com quimioterapia seguida de terapia hormonal — e um braço no qual a decisão terapêutica foi guiada pelo resultado do teste genômico, permitindo que aquelas com escore baixo fossem submetidas apenas à terapia endócrina.

Em declarações oficiais, o professor Rob Stein, investigador principal e professor de oncologia mamária no UCL, enfatizou a relevância dos achados: "Optima aborda uma questão antiga no cuidado do câncer de mama: quem realmente se beneficia da quimioterapia e quem não. Mostramos que muitas pacientes podem evitar a quimioterapia com segurança, sem comprometer os resultados".

Os benefícios práticos descritos na pesquisa incluem redução do fardo físico e emocional imposto pela quimioterapia e a diminuição do risco de efeitos colaterais a longo prazo. Além disso, para os sistemas de saúde, a adoção de um critério molecular para seleção terapêutica aponta para uso mais eficiente de recursos.

O relato humano que acompanha o estudo sublinha o impacto clínico: uma participante ouvida pelo The Guardian disse que ter podido pular a quimioterapia foi "como Natal"; nove anos após o diagnóstico, ela permanece em boa condição de saúde e ativa.

Do ponto de vista metodológico, o Optima é um ensaio randomizado de larga escala que explora a integração da biologia tumoral nas decisões clínicas, em alternativa à avaliação baseada apenas em características clínicas tradicionais. Os pesquisadores defendem que a adoção rotineira do teste genômico pode personalizar tratamentos, poupando efeitos adversos e otimizando intervenções.

Rigor e cautela permanecem necessários: os resultados serão analisados em detalhe pela comunidade científica e por agentes regulatórios antes de mudanças generalizadas nos protocolos. Ainda assim, a apresentação em Chicago marca um avanço significativo na medicina de precisão contra o câncer de mama.

Apuração: combinação de dados oficiais do estudo Optima, declarações do UCL, informações da fabricante Veracyte e relato de participante publicado no The Guardian. A reportagem priorizou o cruzamento de fontes e a fidelidade aos fatos brutos apresentados na conferência da ASCO.