Transplante contestado: Primário Guido Oppido se defende ao gip de Nápoles com vídeo e fotos
Oppido se defende em Nápoles com vídeos e fotos que, segundo a defesa, comprovam a sequência correta do transplante do pequeno Domenico.
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Transplante contestado: Primário Guido Oppido se defende ao gip de Nápoles com vídeo e fotos
Por Giulliano Martini — Em apuração in loco e cruzamento de fontes, a defesa do cardiocirurgião do Monaldi, Guido Oppido, apresentou hoje ao juiz de instrução de Nápoles documentos e argumentos técnicos para rebater acusações sobre o transplante que resultou no insucesso do coração do pequeno Domenico Caliendo, de dois anos, realizado em 23 de dezembro passado.
O interrogatório preventivo durou três horas e meia. Segundo os advogados de Oppido, Alfredo Sorge e Vittorio Manes, foram exibidos uma fotografia e um vídeo que, na sua avaliação, contradizem a linha acusatória. A imagem mostraria a caixa com o órgão do doador fechada sobre uma cadeira às 14h26; o vídeo registraria atividade pulsátil do coração às 14h34 – o que, na ótica da defesa, só seria compatível com a explantação efetuada momentos antes dessa gravação.
O Ministério Público, representado pelo procurador Giuseppe Tittaferrante e pelo procurador adjunto Antonio Ricci, requereu medida interdittiva contra o cirurgião. Cabe ao gip decidir sobre essa solicitação com base nos elementos juntados ao inquérito.
Central ao debate está o confronto entre os tempos indicados em documentos clínicos e as evidências audiovisuais. A cartella anestesiológica e a cartella da circulação extracorpórea (CEC) consignariam um horário de clampeamento aórtico às 14h18; esse dado, se confirmado sem contraprova, poderia ser interpretado como incompatível com a sequência narrada pelo médico.
Para a defesa, porém, esse minutaggio do clampeamento aórtico não se coaduna com o material fotográfico e com o vídeo das 14h34 que mostram o coração ainda pulsando. “A retomada da atividade pulsátil às 14h34 não é compatível, do ponto de vista científico, com um clampeamento da aorta ocorrido 16 minutos antes”, afirmou o advogado Vittorio Manes. A interpretação alternativa, segundo os defensores, aponta para uma cardiectomia e um clampeamento realizados apenas minutos antes da gravação, em conformidade com a sequência operatória relatada por Oppido.
Em nota ao término do interrogatório, a defesa declarou estar satisfeita por ter podido expor “argumentos científicos e documentais que refutam hipóteses acusatórias baseadas essencialmente em lembranças sem lastro documental”. Sorge acrescentou que a apresentação de provas técnicas visou circunscrever a análise do juiz à matéria estritamente factual e temporal, afastando leituras conjecturais dos acontecimentos.
O caso segue em fase de instrução. A decisão do gip sobre a eventual aplicação de medida interdittiva ao primário é aguardada pela defesa e pela acusação. O procedimento mantém sob escrutínio os registros clínicos, as imagens reunidas pela investigação e os depoimentos que possam esclarecer de forma objetiva a cronologia dos atos cirúrgicos e o manejo intraoperatório do transplante.
Esta é a realidade traduzida a partir dos fatos brutos: argumentos científicos, documentação audiovisual e registros médicos em confronto direto. A apuração prossegue, com prioridade à verificação técnica e à eliminação de ruídos narrativos.