Vacinas e HPV: elevar a barreira imunológica rapidamente é prioridade, diz Antonio Ferro (Asuit)
Antonio Ferro (Asuit) defende acelerar a barreira imunológica contra o HPV para reduzir circulação viral e tumores associados; meta de cobertura em três anos.
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Vacinas e HPV: elevar a barreira imunológica rapidamente é prioridade, diz Antonio Ferro (Asuit)
Gênova — Em apresentação no 59º congresso da Sociedade Italiana de Higiene, Medicina Preventiva e Saúde Pública, realizado em Gênova entre 21 e 24 de outubro, Antonio Ferro, diretor-geral da Asuit (Azienda Sanitaria Universitaria Integrata do Trentino) e ex-presidente da Sociedade Italiana de Higiene (Siti), defendeu uma estratégia de aceleração da proteção coletiva contra o HPV. Em termos objetivos: é preciso elevar a barreira imunológica da população no menor tempo possível para interromper a circulação viral.
Ferro descreveu o projeto como um "plano extraordinário de eliminação dos tumores relacionados ao HPV", concebido para criar, em curto prazo, uma massa crítica imunológica que gere benefício também para quem ainda não foi vacinado. A lógica é epidemiológica e direta: reduzir a circulação do vírus reduz exposição e, consequentemente, novos casos, inclusive entre não vacinados.
O foco operacional do programa, explicou Ferro durante sua intervenção, foi definido em metas etárias claras: alcançar cobertura vacinal ampla entre mulheres com menos de 40 anos e entre homens com menos de 30 anos ao longo de um horizonte de três anos. "Os resultados obtidos no Trentino são muito encorajadores", disse o gestor, destacando que os dados preliminares apontam para avanços relevantes, sem, no entanto, antecipar números finais antes do término do ciclo, previsto para 2027.
A estratégia de implementação, assinalou Ferro, apoia-se em dois pilares complementares. Primeiro, a oferta oportunística ampliada por meio de campanhas em redes sociais e publicidade institucional, voltada a aumentar a adesão espontânea. Segundo, a ação de busca ativa, com convites individuais (one-to-one) dirigidos expressamente às pessoas que não responderam às chamadas iniciais. "É imprescindível combinar comunicação de massa e abordagem personalizada", resumiu.
Na sua exposição, Ferro adotou tom técnico e focado: "Estamos monitorando a efetividade das medidas com cruzamento de fontes e vigilância contínua. Prevemos consolidar os dados finais em 2027, pois o projeto está estruturado em três anos". A declaração confirmou que, além das iniciativas locais, o modelo pretende servir como referência para políticas regionais e nacionais de prevenção oncogênica pelo HPV.
O congresso da Siti, realizado nos Magazzini del Cotone do Porto Antico, em Gênova, reuniu especialistas em saúde pública, vigilância epidemiológica e políticas de imunização. A apresentação de Ferro destacou-se pelo caráter pragmático: foco em metas mensuráveis, ênfase na combinação de ferramentas digitais e de campo e compromisso explícito com a validação dos resultados por meio de dados oficiais.
Em síntese, a proposta de aumentar rapidamente a barreira imunológica contra o HPV busca não apenas proteger indivíduos vacinados, mas causar um efeito de proteção coletiva que reduza a circulação viral e, por conseguinte, o risco de tumores associados ao vírus em toda a população.
Apuração in loco, cruzamento de fontes e apresentação de resultados previstos até 2027 — este é o raio-x técnico do projeto defendido pela Asuit.

