Andrea Pazienza no MAXXI: A antológica que prova que «Non sempre si muore»

Antológica de Andrea Pazienza no MAXXI reconstrói 1977-1988 com raridades, mural de 1987 e inéditos. 'Non sempre si muore' reencontra o presente.

Andrea Pazienza no MAXXI: A antológica que prova que «Non sempre si muore»

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Andrea Pazienza no MAXXI: A antológica que prova que «Non sempre si muore»

Por Chiara Lombardi — No limiar entre o íntimo e o coletivo, o traço de Andrea Pazienza continua a funcionar como um espelho do nosso tempo. Pouco antes de morrer, em 16 de junho de 1988, aos 32 anos, numa longa entrevista ao apresentador britânico Clive Griffiths, Pazienza disse uma frase que hoje ganha tom profético: "Non sempre si muore" — e é exatamente esse mote que dá nome à grande antológica que chega ao MAXXI em Roma, de amanhã até 27 de setembro.

A mostra "Andrea Pazienza. Non sempre si muore", curada por Giulia Ferracci e Oscar Glioti, é concebida como uma revisão abrangente de uma obra que não se limita a divertir: ela interroga memórias, códigos e o roteiro oculto da sociedade italiana do final do século XX. Depois da temporada em L'Aquila, o percurso que desembarca no MAXXI retoma com cuidado duas perguntas essenciais: como Pazienza se tornou quem foi, e por que seus quadrinhos ainda reverberam hoje.

Segundo Oscar Glioti, a exposição em Roma concentra-se sobretudo no Pazienza autor-publicador — o artista que transformou o quadrinho italiano entre 1977 e 1988. "O percurso vai do 1977 ao 1988 — são cerca de dez anos que revolucionaram as potencialidades desse meio", explica o curador. A ambição é monumental: não apenas pela quantidade de obras exibidas, mas pelos achados excepcionais e inéditos apresentados ao grande público.

Entre os destaques, surge a primeira história de Zanardi, "Giallo scolastico", e, especialmente, o mural napolitano pintado ao vivo por Pazienza em 1987, durante a quarta Feira do Fumetto na Mostra d'Oltremare. Medindo oito metros por dois metros e meio, a peça é um afresco em movimento que representa uma venatio — luta entre guerreiros e animais — inscrita numa paixão do artista pela antiguidade clássica naquele momento. Recuperar esse mural é devolver ao público uma cena primitiva que dialoga diretamente com o presente.

A exposição organiza-se por salas temáticas e por paletas de cor, cobrindo a carreira inteira do autor: formação, experimentações gráficas, personagens que viraram arquétipos e os trabalhos finais. "Surgiram muitos inéditos", observa Glioti, "o que confirma a sensação de que Pazienza, de alguma forma, nunca nos deixou; suas obras-primas mantêm intacta a atualidade".

Numa leitura mais ampla, essa antológica funciona como um reframe da realidade: os quadrinhos de Pazienza operam como pequenas narrativas-cápsula que colocam em cena a memória coletiva, os conflitos geracionais e a semiótica do viral antes mesmo do termo existir. No MAXXI, a curadoria traça um percurso que é também um mapa afetivo — uma espécie de roteiro cinematográfico em que cada página é um take decisivo.

Para o público italiano e para os observadores do panorama cultural europeu, a mostra é uma oportunidade para revisitar um autor que influenciou tanto a linguagem dos quadrinhos quanto a percepção cultural do fim do século XX. Como todo bom cinema de autor, a obra de Andrea Pazienza continua a falar, a provocar e a iluminar o espaço onde arte e vida se encontram.