‘A arte em edição’: a exposição sobre o mundo dos múltiplos chega a Milão

Exposição 'A arte em edição' em Milão explora os múltiplos de arte: de Pop Art a trabalhos tridimensionais, com curadoria da plataforma Iqoniq.

‘A arte em edição’: a exposição sobre o mundo dos múltiplos chega a Milão

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‘A arte em edição’: a exposição sobre o mundo dos múltiplos chega a Milão

Por Chiara Lombardi — Em um momento em que o mercado e a memória cultural se entrelaçam como frames de um mesmo filme, a exposição “A arte em edição” chega a Milão para resgatar e reavaliar o papel dos múltiplos de arte na história do século XX e além. A abertura ocorre em 27 de março, com visitação prevista até dia 28, na via Pietro Borsieri 29, oferecendo ao público um percurso que é ao mesmo tempo didático e sensorial.

É importante lembrar: o múltiplo de arte não é mera reprodução. É uma obra pensada pelo artista, concebida para explorar linguagens repetitivas sem perder a singularidade — uma tensão produtiva entre serialidade e aura. Numeração, assinatura e controle direto do autor transformam cada peça em um objeto com valor artístico e histórico.

No primeiro nível, a mostra propõe um mergulho na Pop Art nas suas versões italiana, britânica e americana. Serigrafias e edições de nomes como Valerio Adami, Emilio Tadini, Lucio Del Pezzo e Ugo Nespolo conversam com ícones internacionais — Peter Phillips, Robert Indiana, Mel Ramos e Roy Lichtenstein. As litografias e serigrafias expostas corroboram a ideia de que a gráfica foi um laboratório central para experimentos formais do século passado.

O piso inferior amplia o foco: aqui, as investigações metafísicas de Giorgio de Chirico encontram o surrealismo de Salvador Dalí e Joan Miró, ao passo que propostas conceituais de Alighiero Boetti e intervenções de Christo são contrapostas ao Nouveau Réalisme de Mimmo Rotella e às experimentações gráficas de Allen Jones. É um mapa de possibilidades onde técnica, imagem e ideia se sobrepõem como camadas de um filme em negativo.

A seção final dedica-se aos múltiplos tridimensionais, reunindo obras de Enrico Baj, Lucio Del Pezzo, Giulio Paolini, Sergio Cavaliere e Helidon Xhixha. Peças em ferro, madeira, aço, latão e bronze mostram que a edição também pode ser volumétrica e material — uma presença tátil que regrava a memória do objeto.

Curiosamente, a exposição funciona como extensão física da plataforma Iqoniq. A proposta é oferecer ao visitante e ao colecionador uma experiência imersiva onde técnica, história, formato e matéria se equilibram entre acessibilidade e investigação. Para quem acompanha o mercado, o múltiplo surge como escolha cultural consciente e como oportunidade concreta de colecionismo.

Iqoniq apresenta-se, assim, não apenas como mercado, mas como curador de legado: a plataforma reúne impressos e múltiplos originais, numerados, assinados e certificados, selecionados junto a galerias de referência. A ideia é simples e ambiciosa — democratizar o acesso à obra de autor sem diluir sua autoria, transformando lares e escritórios em galerias privadas.

Ao percorrer a mostra, o visitante percebe que o múltiplo é também um espelho do nosso tempo: revela como a arte negocia reprodução, autenticidade e circulação. É um roteiro oculto que convida a pensar não só no objeto, mas na história que ele conta e nas redes — estéticas e econômicas — que o mantêm vivo.