Biennale de Veneza: quase 200 artistas pedem exclusão de Israel da 61ª Exposição por solidariedade à Palestina

Quase 200 artistas pedem que a Biennale de Veneza impeça a participação de Israel na 61ª Exposição, em solidariedade à Palestina.

Biennale de Veneza: quase 200 artistas pedem exclusão de Israel da 61ª Exposição por solidariedade à Palestina

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Biennale de Veneza: quase 200 artistas pedem exclusão de Israel da 61ª Exposição por solidariedade à Palestina

Por Chiara Lombardi — Em mais um capítulo que coloca a arte como espelho do nosso tempo, o coletivo Art Not Genocide Alliance (ANgA) divulgou uma carta aberta exigindo que a Biennale di Venezia impeça a participação do Estado de Israel na 61ª Exposição Internacional de Arte, cuja inauguração está marcada para 9 de maio. O documento reúne quase 200 assinaturas de artistas, curadores e operadores culturais envolvidos no evento veneziano.

Entre os signatários estão nomes como os curadores Gabe Beckhurst Feijoo e Rasha Salti, que faziam parte da equipe designada para realizar a visão da curadora Koyo Kouoh, falecida no ano passado pouco depois de nomeada. Assinam também dezenas de participantes da mostra principal, "In Minor Keys", além de profissionais ligados aos pavilhões do Bélgio, Brasil, Bulgária, França, Peru, Polônia, Espanha, Suíça e outros países. Doze envolvidos optaram por permanecer anônimos, citando temores de "possíveis danos físicos, políticos ou legais" decorrentes de uma assinatura pública.

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No texto, os signatários afirmam: "Nós, como artistas, curadores e operadores culturais, nos unimos no recuso coletivo a permitir que o Estado de Israel encontre uma plataforma enquanto comete genocídio". A carta prossegue declarando solidariedade aos colegas palestinos, apoio ao povo palestino e a esperança de ver o fim do que chamam de "genocídio sionista e do apartheid em curso", aspirando a uma Palestina livre.

A mobilização recorda os episódios de 2024, quando a inclusão de Israel na Biennale desencadeou protestos que culminaram no fechamento do pavilhão israelense. Na ocasião, a artista escolhida para representar o país, Ruth Patir, condicionou a abertura de sua mostra a um "cessar-fogo e ao acordo para a libertação de reféns" entre Israel e Hamas; a exposição acabou sendo interrompida e fechada em novembro sem inauguração oficial, embora tenha enfrentado ações públicas e manifestações durante as janelas de anteprima e dias de abertura.

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Para 2026 a participação de Israel não será localizada nos Giardini — tradicional sede dos pavilhões nacionais —, apontados como em reforma, mas no Arsenale, outro núcleo central da Biennale. A artista baseada em Haifa, Belu-Simion Fainaru, que representará o país, declarou ao ARTnews ver com bons olhos a nova disposição, destacando a oportunidade de expor ao lado de países como Emirados Árabes Unidos, Turquia e Arábia Saudita.

Este apelo coletivo não é apenas um pedido de exclusão: é um ato de interpretação cultural. Como analista, enxergo nessa carta a tentativa de desalinhar a estética oficial da Biennale de uma narrativa que muitos consideram uma legitimação política. Em vez de tratar a presença de um Estado como mera ficha no mapa expositivo, os signatários convidam a instituição a reconhecer o peso simbólico de ceder uma plataforma durante um conflito que, no discurso da carta, opera como um "roteiro de destruição".

O episódio reabre perguntas-chaves sobre o papel das grandes bienais: são vitrines neutras de criação ou palcos com responsabilidade ética e histórica? A tensão entre circulação artística e posicionamento político volta a compor o roteiro oculto da exposição, estimulando uma reflexão coletiva sobre memória, visibilidade e legitimidade cultural.

Enquanto a Biennale ajusta seus últimos detalhes para a abertura, a discussão promete permear os corredores do Arsenale e os cafés da cidade — um debate onde a arte se recusa a ser apenas adorno, preferindo assumir a condição de espelho e agente de transformação.

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