Corinne Clery revela ter nomeado tutor legal para se proteger de seu filho Alex
Corinne Clery revela ter nomeado um tutor legal para se proteger do filho Alex após anos de conflitos e acusações de abuso psicológico.
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Corinne Clery revela ter nomeado tutor legal para se proteger de seu filho Alex
Corinne Clery, a atriz francesa conhecida por seus papéis marcantes no cinema europeu, revelou hoje, durante sua participação no programa La volta buona apresentado por Caterina Balivo, uma decisão pessoal e jurídica que traduz um longo desgaste íntimo em medidas de proteção formal.
Em entrevista exibida na quarta-feira, 9 de setembro, Clery explicou que, após anos de conflitos e dificuldades de comunicação com o filho Alex — com quem não tem contato há mais de nove anos — optou por nomear um tutor legal para cuidar de seu futuro. As disputas, relacionadas a questões financeiras, e os sucessivos desgastes emocionais a levaram a procurar amparo jurídico.
“Depois de tantos anos de sofrimento e incapacidade de diálogo, pensei que precisava me tutelar para me defender do meu filho”, disse a atriz, numa fala que guarda a gravidade calma de quem decide intervir no próprio roteiro de vida. Clery admitiu o medo de uma eventual enfermidade: “Eu temo qualquer coisa. Se eu ficar doente, a única pessoa que poderia decidir por mim é meu filho. Por isso resolvi pensar no meu futuro e me proteger”.
O mecanismo escolhido foi a nomeação de um advogado como tutor, ato formalizado em cartório: “Eu o nomeei e foi registrado pelo notário. Ele é, na prática, o meu tutor legal e tomará decisões sobre a minha vida”, explicou. A formalização por notário confere segurança jurídica a uma medida que, no imaginário coletivo, pode parecer extrema, mas que aqui surge como resposta a anos de tensão.
Clery voltou a recordar os anos de conflito com Alex, descrevendo um quadro de “soprusi psicologici” — abuso psicológico — que a levou a esgotar tentativas de reconciliação e soluções diversas. “Já fiz de tudo e não obtive nada; agora penso um pouco em mim”, afirmou, numa linha que articula autocuidado e defesa legal.
Como observadora cultural, é impossível não ver esse episódio também como um pequeno espelho da nossa época: quando os laços familiares conflitam com interesses patrimoniais e com a saúde emocional, o direito surge como um cenário de intervenção para reorganizar papéis e proteger vulneráveis. A decisão de Clery — mulher pública, ícone cinematográfico europeu — é ao mesmo tempo pessoal e política, um reframe que conecta memória, identidade e as exigências pragmáticas do envelhecimento.
Há algo de teatral nessa cena: a atriz, que viveu múltiplos personagens na tela, assume agora um papel de protagonista sobre sua própria vida, substituindo a incerteza pelo ato formal de nomear um guardião legal. Não se trata de um gesto de ruptura pura, mas de um roteiro de autopreservação. Em uma sociedade onde o cuidado muitas vezes se confunde com o controle, a nomeação de um tutor por escolha própria é também um ato de afirmação de agência.
Clery não detalhou os próximos passos, nem o nome do advogado-tutor, mas deixou clara a mensagem que atravessa sua fala: depois de anos de desgaste, escolheu priorizar sua proteção e sua paz. O caso reabre diálogos sobre autonomia, família e as ferramentas jurídicas disponíveis para quem busca resguardar seu futuro em meio a conflitos íntimos.

