Deloitte apresenta IX edição do Report ArtsFinance: o mercado da arte entre cruzamentos e polarizações
IX edição do Report ArtsFinance da Deloitte revela 2025: cross-pollination, polarização e +14,8% nas receitas das casas de leilão.
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Deloitte apresenta IX edição do Report ArtsFinance: o mercado da arte entre cruzamentos e polarizações
Chiara Lombardi para Espresso Italia — Foi apresentada em 13 de abril, no Auditorium Deloitte de Milão, a IX edição do Report ArtsFinance de Deloitte Private Italia, dedicada ao panorama do mercado da arte e dos bens de colecionador. A abertura integrou o calendário de iniciativas na Galleria Deloitte, instalada na igreja sconsacrata de San Paolo Converso, onde está em exibição a obra site-specific "Liturgica", do artista Giuseppe Lo Schiavo. O relatório oferece mais do que números: é um espelho do nosso tempo, que revela o roteiro oculto das transformações culturais e econômicas que atravessam o setor.
O estudo descreve 2025 como um ano a duas velocidades para os bens de colecionador. Duas forças coexistem e se entrelaçam — a cross-pollination e a polarização — remodelando ofertas, estratégias de casas de leilão e comportamentos de colecionadores. A cross-pollination refere-se à crescente integração entre segmentos tradicionais da arte e outros passion assets, que passam a compor os portfolios de vendas das grandes casas. Já a polarização se manifesta na concentração da procura em obras com qualidade certificada e proveniência rastreada, ao mesmo tempo em que se observa um aumento de transações em faixas de preço médio-baixas.
Geopolítica e políticas comerciais internacionais explicam parte desse movimento. No primeiro semestre de 2025, a expectativa pela introdução de tarifas nos EUA trouxe tensão e levou a um arrefecimento nas transações e nos preços, principalmente no segmento premium — um prolongamento da tendência observada em 2023-2024. No segundo semestre, a aplicação mais suave das novas políticas comerciais americanas proporcionou um alívio ao comércio internacional, refletido também no mercado artístico: vendas relevantes de coleções privadas, especialmente nos EUA, impulsionaram uma recuperação que resultou em um crescimento anual de faturamento das principais casas de leilão internacionais de +14,8% em relação a 2024.
Outro vetor crucial destacado pelo relatório é o passaggio generazionale. Millennial e Gen Z trazem novos códigos de valor, formas de engajamento e expectativas sobre curadoria, digitalização e experiências; eles reconfiguram o mercado com atitudes que priorizam narrativa, autenticidade e circulação híbrida entre físico e digital. Em contrapartida, os baby boomers — que acumularam grandes coleções nas décadas passadas — permanecem a principal fonte de oferta de obras de qualidade para o mercado, sobretudo em processos de sucessão e vendas de espólio. Esse encontro entre gerações cria um cenário de transformação: um reframe da realidade do mercado, em que oferta, demanda e canais dialogam de maneiras inéditas.
Para operadores, curadores e investidores, as implicações são claras: reforçar mecanismos de certificação e rastreabilidade, ampliar estratégias de cross-selling entre categorias de ativos culturais e adaptar modelos de participação às preferências das novas gerações. O relatório da Deloitte Private Italia funciona, portanto, como um mapa prospectivo — uma semiótica do viral e do perene — que ajuda a interpretar tendências e a antecipar movimentos no mercado global da arte.
Ao visitar a Galleria Deloitte em San Paolo Converso, a experiência da obra "Liturgica" de Giuseppe Lo Schiavo reafirma esse diálogo entre o sagrado e o contemporâneo, entre espaços históricos e narrativas emergentes: uma metáfora visual para o próprio mercado, onde tradição e inovação coexistem, por vezes em tensão, por vezes em fusão criativa.
Em suma, a IX edição do Report ArtsFinance não entrega apenas estatísticas: oferece uma lente crítica sobre como o mercado da arte reflete e antecipa mudanças culturais, econômicas e geracionais — uma narrativa que merece ser lida como um roteiro do presente e como um guia para quem quer entender o futuro dos bens de colecionador.