Deva Cassel: “O nepotismo traz mais infelicidade do que benefícios, se não for bem administrado”
Deva Cassel reflete sobre o nepotismo, carreira e escolhas em entrevista para Vanity Fair France durante a promoção de Il Fantasma dell’Opera.
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Deva Cassel: “O nepotismo traz mais infelicidade do que benefícios, se não for bem administrado”
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Por Chiara Lombardi — Em uma conversa que funciona como um espelho do nosso tempo, Deva Cassel, 21 anos, abriu-se sobre a complexidade de crescer sob a sombra de dois ícones do cinema europeu. Em entrevista a Vanity Fair France, feita para promover o remake de Il Fantasma dell’Opera dirigido por Alexandre Castagnetti, a atriz não hesita em nomear a palavra que sempre acompanha seu nome: nepotismo.
“O nepotismo é algo que as pessoas veem com brilho nos olhos. Na realidade, se não soubermos administrá‑lo, traz mais infelicidade do que benefícios”, diz Deva ainda antes que a entrevistadora formule a pergunta — um gesto que revela o nível de consciência que acompanha uma vida nascida entre holofotes. Essa antecedência explica o cuidado que ela relata ter desde cedo: quando se é filha de Monica Bellucci e Vincent Cassel, a expectativa é de sempre chegar mais preparada do que os demais.
Para Deva, este remake de Il Fantasma dell’Opera é o seu primeiro papel em solo francês e um projeto que ela encara como “muito maior do que eu”. A responsabilização frente a um projeto desse porte converte o ato de atuar em algo próximo de um rito de passagem — um roteiro oculto que reescreve não só a carreira, mas a narrativa pública sobre pertencimento e mérito.
A trajetória de Deva já traz marcas do ecossistema cultural que a moldou: começou como modelo aos 14 anos e estreou no cinema em 2023 com La bella estate, de Laura Luchetti. Desde então, colecionou alguns papéis, incluindo um personagem recorrente na minissérie da Netflix Il Gattopardo, onde conheceu o ator Saul Nanni, hoje seu namorado.
Sobre o relacionamento, Deva desmonta a narrativa do amor à primeira vista. “Não foi um fogo de palha. Éramos colegas e amigos. Depois de dois meses de filmagens, ele foi rodar algumas cenas na Sicília. Quando voltou, percebi o quanto havia sentido falta.” Ela já conheceu a família dele e descreve o encontro como tranquilo: “Foi ótimo, realmente. Não poderia ter sido melhor.”
Há, nas observações da atriz, uma educação emocional amadurecida por pais que lhe ensinaram a separar a personagem da pessoa. Filha de dois astros, Deva conta que para eles a fama era “um ofício que permitia viver bem” e que, para ela, era a normalidade. Monica Bellucci, em particular, é lembrada como quem protegeu, mas também permitiu escolhas: “Ela sempre buscou me proteger porque é uma mãe italiana — brinca Deva —, mas me deixou errar para aprender.”
Como analista cultural, vejo na fala de Deva uma pequena lição sobre o roteiro social que nos cerca: o nepotismo não é um selo uniforme de vantagem; é um desafio ético e emocional que exige gestão e consciência. A jovem atriz trabalha agora para transformar o privilégio em responsabilidade artística — um reframe da realidade que pode, se bem conduzido, produzir um eco cultural relevante para além das manchetes.
© Espresso Italia — Chiara Lombardi


