Dwayne Johnson e a nova face da masculinidade em Oceania: 'Força também é pedir ajuda'

Dwayne Johnson retorna como Maui em Oceania e redefine a masculinidade: 'Força também é pedir ajuda'. Reflexões sobre vulnerabilidade e paternidade.

Dwayne Johnson e a nova face da masculinidade em Oceania: 'Força também é pedir ajuda'

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Dwayne Johnson e a nova face da masculinidade em Oceania: 'Força também é pedir ajuda'

Por Chiara Lombardi — O esperado live-action da Disney Oceania, protagonizado por Dwayne Johnson e Catherine Laga'aia, chega às salas italianas, colocando novamente no centro do palco o semideus Maui. Em entrevista à Espresso Italia, feita a partir de Londres, Johnson aproveita o retorno ao personagem para desfiar um fio narrativo íntimo: a relação entre poder, memória e a redefinição da masculinidade.

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Quem conheceu o Maui da animação de 2016 já sabe: um herói carismático com feridas antigas. Agora, no registro em carne e osso, a interpretação de Johnson transforma essa ferida em ponto de contato com sua própria biografia. O ator — recentemente reconhecido como Disney Legend — diz não só representar o semideus, mas também revisitar camadas pessoais. Para ele, a vulnerabilidade não é fraqueza, é matéria-prima da coragem.

"Nós, homens, sempre sentimos a pressão de mostrar que damos conta de tudo: trabalhar, prover, estar fortes. Minha ideia de masculinidade é ser autêntico e também permitir-se expor fragilidades, pedir ajuda quando necessário", afirmou Johnson ao responder sobre o tema. Ele descreve uma infância em que a figura paterna não estimulava a comunicação emocional — um silêncio que aprendeu a quebrar por meio das relações atuais, sobretudo com as filhas.

O discurso dele ressoa com a trajetória de Maui no filme: um herói que nasceu rejeitado, que guarda memórias dolorosas e que, ao se abrir, encontra uma outra força. É essa sobreposição entre o papel e o vivido que torna o retorno de Johnson ao personagem um gesto tanto profissional quanto existencial. "Fingir que se sabe tudo é uma via sem saída", diz ele, refletindo sobre a necessidade de confiar em um pequeno círculo de pessoas — as 'minhas pessoas' — para pedir socorro e, assim, transformar a própria vida.

Como observadora do zeitgeist, vejo nesse movimento cinematográfico e retórico um reframe cultural: o blockbuster que também funciona como espelho social, convidando o público a repensar arquétipos. Oceania não é só espetáculo e efeitos; é uma semiologia do crescimento, uma narrativa sobre memória, pertença e cura.

Johnson acrescenta que hoje é um homem, pai e parceiro diferente do que era há uma década — e que essa evolução se traduz em escolhas interpretativas e pessoais. Ao emprestar corpo a Maui pela segunda vez, ele demonstra como a cultura pop pode sublinhar e amplificar processos íntimos de transformação. A lição, no fim das contas, é simples e poderosa: pedir ajuda é ato de coragem, e a força pode muito bem nascer da vulnerabilidade.

O lançamento do filme, que traz também a participação de Catherine Laga'aia, abre espaço para debates sobre masculinidade contemporânea, paternidade e a responsabilidade das narrativas populares em moldar expectativas sociais. Em um panorama onde o entretenimento encontra a análise, Dwayne Johnson nos oferece, através de Maui, um roteiro oculto da sociedade que vale a pena escutar.

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