Edição de Arte: 'San Francesco' por Alfonso Masullo vira livro único em tiragem limitada
Edição limitada: livro de artista 'San Francesco' por Alfonso Masullo com arte de Alessandro Romano e capa em vidro de Murano. Só 256 exemplares.
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Edição de Arte: 'San Francesco' por Alfonso Masullo vira livro único em tiragem limitada
Por Chiara Lombardi — Em sintonia com as comemorações dos 800 anos da morte de San Francesco de Assis, a editora Consulting Art (Srl) de Raffaele Tortorella apresenta um projeto que se lê como um objeto e se vê como obra: um livro de artista concebido e dirigido por Alfonso Masullo, executivo e export manager da editora, que assume também a direção artística e editorial desta edição exclusiva.
Mais do que um volume, trata-se de um artefato cuidadosamente orquestrado — cada exemplar é singular, resultado de uma tiragem limitada e de uma concepção que privilegia o detalhe e a materialidade. O título, San Francesco d'Assisi. Un giovane Santo di 800 anni, concentra uma ambição: recontar a vida do santo em linguagem de ateliê, entre imagem escultórica e narrativa textual, oferecendo ao leitor a experiência do objeto como espelho do nosso tempo e do patrimônio cultural.
O vigor estético do projeto encontra-se na colaboração com o Maestro Alessandro Romano, escultor de reputação internacional — único artista vivo a possuir quatro esculturas marmóreas monumentais nas nichos michelangelescos da Basílica de São Pedro no Vaticano. Romano criou o protótipo do rosto de San Francesco, reproduzido em medalha cunhada pela Antica Zecca di Lucca e incrustada no centro de uma capa especial fabricada em vidro de Murano. A peça de cobertura funciona como uma lente simbólica: protege a obra e, simultaneamente, a expõe como objeto sagrado e doméstico.
Além da medalha, o livro contém oito tábuas fuori testo — ilustrações que narram momentos decisivos da vida do santo, entre devoção e itinerância. Esses elementos visuais reforçam a ideia do livro como um reframe da memória histórica, onde a iconografia e a matéria se encontram para produzir sentido.
O aparato textual foi enriquecido por dois contributos científicos: um ensaio do monsenhor Felice Accrocca, bispo de Assisi-Nocera Umbra-Gualdo Tadino e de Foligno, e uma análise do historiador da arte Francesco Gallo Mazzeo. As vozes dialogam com as imagens e com o procedimento artesanal, oferecendo contexto e densidade crítica à edição.
A edição é estritamente limitada — apenas 256 exemplares serão produzidos. Cada exemplar, pela sua singularidade, configura-se como peça de coleção, destinada a bibliotecas de arte, museus e colecionadores que procuram o ponto de encontro entre pesquisa histórica e experimentação plástica.
Como analista cultural, vejo nessa iniciativa mais do que um gesto comemorativo: é um comentário material sobre como memorializar figuras históricas no século XXI. Através da escultura, da medalha e do vidro, o projeto propõe um roteiro oculto da sociedade — ou seja, como preservamos e reencenamos santos em formas que falam tanto ao sagrado quanto ao mercado da arte. Em tempos em que o patrimônio é também palco de reencontros com a identidade, este livro de artista atua como um eco cultural que interroga nossas práticas de memória.
Detalhes práticos: a obra foi idealizada por Alfonso Masullo e publicada pela Consulting Art, com edição limitada a 256 exemplares. Para colecionadores e instituições, é um lançamento que combina investigação, técnica e um certo toque de liturgia estética.