Eurovision 2026: primeira semifinal em Viena traz Sal Da Vinci, Senhit e tensões políticas do pop

Primeira semifinal do Eurovision 2026 em Viena: Sal Da Vinci, Senhit com Boy George, 35 países e tensões políticas no palco.

Eurovision 2026: primeira semifinal em Viena traz Sal Da Vinci, Senhit e tensões políticas do pop

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Eurovision 2026: primeira semifinal em Viena traz Sal Da Vinci, Senhit e tensões políticas do pop

O festival continental abriu o seu mosaico pop já no domingo, com a cerimônia no turquoise carpet que reuniu os 35 artistas concorrentes e antecipou o clima elétrico da competição. Na primeira semifinal, marcada para terça‑feira, 12 de maio, a cena promete ser um microcosmo do que chamamos de cultura pop: brilho, política e histórias transnacionais entrelaçadas.

Confirmado para se apresentar fora de concurso está o vencedor do Festival di Sanremo: Sal Da Vinci, com a canção "Per sempre sì". A presença italiana em Viena não fica apenas no número de um artista: a edição mostra uma constelação de vínculos com a Itália — artistas com raízes italianas, colaborações e influências que atravessam fronteiras. Curioso reframe: o palco do Eurovision funciona como um espelho do nosso tempo, onde identidades e memórias se encontram no refrão.

Também na primeira semifinal competirá Senhit, voz de San Marino, que volta ao centro do palco após vencer o San Marino Song Contest. Sua apresentação em Viena ganha um tempero extra com a participação de Boy George, uma colaboração entre gerações que simboliza a fusão de histórias pop e a semiótica do viral.

O mapa de qualificados de direito mantém as suas tradições e exceções: Alemanha, Áustria — país anfitrião e atual campeão — França e Reino Unido já têm vaga na final. A Itália integra o grupo do chamado Big Five (neste ano efetivamente Big Four após a retirada da Espanha, um gesto de protesto contra a participação de Israel). Essa retirada devolve à competição um elemento de tensão política que amplia o debate sobre representatividade e plataformas culturais.

Além de Senhit e Sal Da Vinci, há várias conexões italianas espalhadas pela lista: Sarah Engels, em representação pela Alemanha, ostenta raízes sicilianas; Veronica Fusaro tem nacionalidade suíça, mas sangue italiano pelo lado paterno; e a representante da Ucrânia, Leléka, colaborou com o compositor italiano Stefano Lentini. Pequenos fios que desenham um tapete cultural europeu.

O alcance digital de "Per sempre sì" salta aos olhos: o tema ocupa a liderança nas streaming global com mais de 24,2 milhões de plays, tornando-se um dos protagonistas da transmissão. A Itália chega à edição com uma sequência expressiva — oito posições consecutivas no Top 10 — e a missão de buscar o nono resultado de prestígio.

As três noites do evento serão transmitidas com apresentação de Gabriele Corsi e Elettra Lamborghini: as semifinais vão ao ar na Rai 2 (12 e 14 de maio) e a grande final na Rai 1 (16 de maio), também em simulcast na Rai Radio2 e em streaming por Rainews.it, RaiPlay e RaiPlay Sound.

O palco da Wiener Stadthalle reunirá 35 países em disputa: duas semifinais (12 e 14 de maio) e a final no sábado, 16 de maio. A dimensão internacional é evidente nos números: 95 mil ingressos vendidos por fãs vindos de 75 países, com 42% do público estrangeiro — uma plateia global que inclui Estados Unidos, Austrália, Canadá, Brasil, México, Japão, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Hong Kong e Nova Zelândia. É, possivelmente, o maior público ao vivo do Eurovision dos últimos anos.

Mais do que uma competição musical, esta edição funciona como um roteiro oculto da sociedade: ritmo, disputa e eco cultural que nos convidam a refletir sobre o papel do entretenimento como arena política e memória coletiva. Viena, por estes dias, encena não só canções, mas também as narrativas que estas canções carregam.