Festa do Cinema de Roma: Serena Rossi afirma que 'o pacto pelo futuro se quebrou' ao apresentar A Família Panini
Serena Rossi na Festa do Cinema de Roma: 'o pacto pelo futuro se quebrou' ao apresentar a série A Família Panini, que estreia 22/11 na Rai1.
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Festa do Cinema de Roma: Serena Rossi afirma que 'o pacto pelo futuro se quebrou' ao apresentar A Família Panini
Na esteira da Festa do Cinema de Roma, a atriz Serena Rossi trouxe ao palco uma reflexão que vai além das luzes da ribalta: a sensação de que o pacto sobre o futuro entre gerações está em frangalhos. Rossi apresentou a série A Família Panini - A aventura das figurinhas (La famiglia Panini - L'avventura delle figurine), que estreia em 22 de novembro na Rai1, ao lado da diretora Letizia Lamartire e dos atores Federico Cesari, Benedetta Cimatti e Simone Liberati.
“Os jovens de hoje perderam um pouco o sonho. E o que estamos vivendo agora é consequência disso. É como se tivesse se quebrado um pacto pelo qual os filhos podiam esperar um futuro melhor que o de seus pais”, disse Rossi, numa intervenção que soou como um manifesto cultural mais do que uma declaração promocional. Ela defende que essa fratura gera uma desesperança que precisa ser ouvida e acolhida — um eco social que a série procura traduzir para as telas.
Ambientada entre os anos 1940 e 1970, a produção acompanha a trajetória humana e profissional da família Panini, responsável por transformar as figurinhas Panini em um fenômeno global. A trama conecta a ambição familiar ao desejo universal de ascensão: o sonho, o engenho e a persistência que alimentam uma transformação histórica e cultural.
Rossi interpreta Olga Panini, mãe de oito filhos, um papel que exigiu dela o uso do dialeto da Emília. A atriz descreveu Olga como uma figura “veramente grandiosa”: sozinha em meio às agruras da guerra, ela teve a coragem — e a ousadia quase visionária — de investir comprando uma banca de jornal num período em que muitas notícias sequer circulavam. “Uma visionária, talvez até considerada louca”, completou Rossi, elegendo Olga como um exemplo feminino de modernidade e resiliência.
A performance e a construção do personagem são, segundo Rossi, um lembrete de que mulheres com personalidade foram e continuam sendo percebidas como ameaça. “Mas a senhora Olga venceu nos anos 40. Ainda há caminho a percorrer, mas muitas conquistas já chegaram”, observou, conectando passado e presente numa linha de continuidade que questiona o papel da memória coletiva.
A diretora Letizia Lamartire acrescentou um contraponto otimista: apesar dos dias difíceis, a série quer ser um veículo de esperança. “Transformaram a necessidade em engenho e o engenho em sonho. Essa é a esperança que queremos transmitir”, afirmou. Para Lamartire, a história da família Panini funciona como um espelho do nosso tempo — um roteiro oculto que inspira os jovens ao mostrar que a energia e a inventividade podem ser fontes de mudança.
Em suma, A Família Panini chega como mais do que um drama de época: é um estudo sobre ambição, memória e identidade, que convida o público a ler a história como um mapa para entender as inquietações das novas gerações. É a semiótica do viral transformada em melodrama histórico — um convite para escutar o desespero jovem e, simultaneamente, nutrir a esperança.

