George Clooney anuncia fim da carreira como diretor: "A família é minha prioridade" na Mostra de Veneza
George Clooney diz que largou a direção pela família e recebe o Leão de Ouro na Mostra de Veneza; comenta carreira, projetos e clima.
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George Clooney anuncia fim da carreira como diretor: "A família é minha prioridade" na Mostra de Veneza
Por Chiara Lombardi — Em Veneza, onde o cinema se reflete como espelho do nosso tempo, George Clooney anunciou uma decisão que é ao mesmo tempo íntima e emblemática: deixou de lado a carreira de diretor para priorizar a família. Durante a conferência de imprensa na Mostra de Veneza (Venezia 83), onde recebe o prestigiado Leone d'oro à carreira, o ator explicou o porquê dessa mudança de marcha na vida profissional.
"Tenho dois filhos de 9 anos e parei de dirigir para passar mais tempo com eles. Um filme em que sou ator me consome cerca de três meses; como diretor, o trabalho dura um ano inteiro, e eu não consigo mais comprometer esse tempo", disse Clooney. "É divertido voltar a ser ator, eu gosto disso", completou, numa fala que traduz um saldo de escolhas pessoais e profissionais que ressoa como um roteiro oculto da maturidade.
Sobre o que o leva a escolher um projeto hoje, o ator detalhou: o texto e o diretor ainda são fundamentais, mas passou a pesar muito o onde e o quando. "Tenho uma vida pessoal e novas prioridades. Antes, por vezes fazia três filmes por ano; agora isso não acontece mais. Cuidar do outro e da própria vida é parte do percurso, é preciso aceitar a mudança".
Esse balanço entre idade, carreira e memória também ecoa no filme que apresentou no ano passado na Mostra, Jay Kelly, em que interpreta um ator que, à espera de um prêmio, repassa escolhas e perdas. "Tenho 65 anos e, a essa altura, tudo ganha um véu de melancolia, até escovar os dentes", disse Clooney com humor e ternura. Logo em seguida, sublinhou a gratidão pela vida: "Sou afortunado: tenho uma esposa que amo e dois filhos maravilhosos. A vida é bela. Apesar dos problemas do mundo, temos de lembrar de celebrar as muitas coisas boas".
No campo dos projetos futuros, o ator não fecha as portas às colaborações históricas: "Com Brad (Pitt) e Matt (Damon) eu faria qualquer coisa. Assim que as agendas permitirem, voltaremos a trabalhar juntos". É o eco de uma camaradagem cinematográfica que atravessa décadas e se alimenta de afinidade artística.
Chiaro e engajado, Clooney também aproveitou a tribuna de Veneza para falar de mudança climática. Lamentou a negação da ciência por vozes poderosas, mas mostrou-se otimista: "Amigos em vilarejos do sul da França perderam suas casas; neste verão houve incêndios devastadores em Como. Precisamos pensar em como ajudar essas pessoas. Apesar da gravidade, acredito que governos passarão a enfrentar a questão".
Por fim, uma observação sobre a política americana: citando o termo kakistocracy — governo das piores pessoas — Clooney descreveu um momento difícil, mas reafirmou que, historicamente, sociedades conseguiram se recompor. Sua fala em Veneza foi, portanto, mais do que um anúncio de prioridades: foi um manifesto em tom íntimo e público, o reframe de uma vida em que o legado profissional e o cuidado pessoal encontram um novo equilíbrio.

