Il Libro Possibile chega a Vieste: festival em Puglia encerra edição XXV com apelo à paz
Il Libro Possibile encerra edição XXV em Vieste (21-25 jul): encontros na Piazza Marina Piccola por paz, literatura e diálogo no Mediterrâneo.
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Il Libro Possibile chega a Vieste: festival em Puglia encerra edição XXV com apelo à paz
Em uma celebração que é simultaneamente homenagem e reavaliação do papel público da literatura, Il Libro Possibile encerra sua edição antológica de 25 anos com a última parada em Vieste. De 21 a 25 de julho de 2026, a antiga cidade gargânica recebe, em Piazza Marina Piccola, cinco noites de entrevistas, leituras e diálogos pensados para transformar a praça num palco de debate e reflexão.
Fundado na Puglia em 2002, o festival reafirma sua vocação: levar a cultura para os espaços públicos, desenhando um roteiro onde a praça volta a ser o espelho do nosso tempo. Nesta edição XXV, o fio condutor foi emprestado pela obra e pelo espírito de Charlie Chaplin — o célebre "Discorso all'Umanità" — que inspira o tema do festival e dá lugar ao manifesto “Discorso per la Pace dal Mediterraneo al mondo”. É um gesto simbólico e concreto: do palco de Vieste a mensagem alcança, em eco, a Terra Santa, onde atua o cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca de Jerusalém dos Latinos.
O encontro de encerramento, dedicado à paz e à humanidade, será conduzido por monsenhor Filippo Santoro, arcebispo emérito de Taranto. A escolha de um líder religioso com experiência pastoral traz ao debate uma perspectiva ética e comunitária — o tipo de mediação que as crises contemporâneas exigem. O festival não se limita à celebração literária: atua como um laboratório público, um reframing da realidade em que a palavra se converte em ponte.
No plano internacional, a programação amplia o horizonte com nomes que dialogam com estéticas diversas. O escritor britânico Geoff Dyer apresenta pela primeira vez na Itália Compiti a casa (Il Saggiatore), após a estreia londrina ligada à #iLP26. Ao lado dele, outro dos nomes mais aguardados é Eshkol Nevo, que traz a experiência de um olhar sobre narrativa e memória tão pertinente ao espírito deste aniversário.
Assistir às mesas em Piazza Marina Piccola é testemunhar um mapa de preocupações — da literatura à geopolítica, da memória individual às narrativas coletivas — que define o festival como um eco cultural. Como analista, vejo em Il Libro Possibile não apenas um encontro de autores, mas um espelho do nosso tempo: a literatura aqui funciona como lente crítica e como convite ao diálogo, propondo um roteiro oculto que liga artes, política e responsabilidade social.
Para quem circula pela Puglia neste julho, o festival oferece a rara chance de ver o encontro entre pensamento público e espaço comum, onde cada leitura e cada intervenção reverberam além da praça — em casa, nas redes, no Mediterrâneo. Em tempos em que o barulho compete com a voz, iniciativas como esta lembram que a cultura pode, e deve, alçar asas ao encontro do humano.