May el-Toukhy em Veneza 83: “Poucas diretoras é um problema estrutural; fala-se só do gênio dos homens”

May el-Toukhy em Veneza 83 diz que poucas diretoras é um problema estrutural e fala sobre 'Woman Unknown' e a invisibilidade feminina no cinema.

May el-Toukhy em Veneza 83: “Poucas diretoras é um problema estrutural; fala-se só do gênio dos homens”

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

May el-Toukhy em Veneza 83: “Poucas diretoras é um problema estrutural; fala-se só do gênio dos homens”

Por Chiara Lombardi — Na esteira do debate sobre a presença feminina nos grandes festivais, a diretora dinamarquesa de origem egípcia May el-Toukhy se tornou voz emblemática em Veneza 83. Em competição pelo Leão de Ouro com seu filme Woman Unknown, ela afirmou, com a elegância e a franqueza de quem observa o panorama cultural com olhar crítico: “Normalmente durmo sempre muito bem, mas stanotte mi sono svegliata e mi sono detta: ‘Sou a mulher mais desconhecida e, ao mesmo tempo, mais conhecida de Veneza’”.

Guia Italia + — O conteúdo continua após a publicidade.
Glow Laminagem de cíliosGuia Itália +
Beleza e Estética

Glow Laminagem de cílios

Torino · Piemonte

Laminagem de cílios Realce a beleza natural do seu olhar com uma técnica delicada que curva, define e valoriza os cílios, proporcionando um efeito elegante, alongad…

Centro Estético TO BeautyA combinarConhecer serviço

Continuação do Conteúdo ↘

Essa declaração, quase um espelho do paradoxo que vive a indústria, abriu caminho para um diagnóstico mais profundo. El-Toukhy não relatou apenas uma sensação pessoal: ela apontou um padrão. Segundo a diretora, a presença escassa de mulheres em competição não é um acaso, mas sim «um problema estrutural» que atravessou sua trajetória profissional. Depois da escola de cinema, conta, foi mais difícil obter financiamento e executar projetos do que para colegas homens. As diferenças de orçamento reverberam na composição do elenco, na produção e na visibilidade das obras.

Além do acesso a recursos, há um outro filtro simbólico que sustenta a desigualdade: a narrativa crítica. El-Toukhy chamou atenção para a construção do mito do «gênio masculino», um rótulo aplicado quase exclusivamente a cineastas homens. “Nunca li um artigo chamando uma diretora de ‘gênio’”, disse, sublinhando que a mudança exige responsabilidade coletiva — inclusive a de questionar diretores homens sobre a ausência feminina em seleções e prêmios.

O filme Woman Unknown espelha essas preocupações em forma dramática. A história de Marie, prestes a se casar com Christian — um rico viúvo para quem trabalha — é atravessada por um segredo: uma relação com um soldado alemão durante a guerra que volta a ameaçar a estabilidade que ela conquistou. Em um refrão que ecoa além da narrativa, el-Toukhy assinala: “Em muitos conflitos armados, os homens pagam com a vida; as mulheres pagam com o corpo”. Esse eixo — a invisibilidade das mulheres e a luta por uma voz própria — é o coração do longa.

Na esteira do movimento #MeToo, acrescentou a diretora, houve um despertar para as desigualdades, mas há sinais de retrocesso. Por isso, a vigilância crítica e o questionamento contínuo são imperativos. A fala de May el-Toukhy funciona como um convite para repensar o roteiro oculto da indústria cultural: como se constroem reputações, quem ganha acesso aos holofotes e que narrativas são consideradas universais.

Como observadora do zeitgeist, vejo em Woman Unknown e nas palavras de sua autora um reframe necessário — uma demanda para que o cinema reconheça e valorize outras formas de gênio e outras trajetórias. Não se trata apenas de números em um catálogo de competição; trata-se do ecossistema que permite a existência dessas histórias. E, enquanto o festival segue projetando luzes e sombras, a pergunta de El-Toukhy permanece: quem escrevemos e quem permanece esquecido no enredo coletivo?

Guia Italia + — O conteúdo continua após a publicidade.

Continuação do Conteúdo ↘