Miart 2026: New Directions — novas trajetórias para uma feira em transformação
Miart 2026 (17-19 abr): 'New Directions' renova a feira em Allianz MiCo South Wing com 160 galerias de 24 países e curadoria de Nicola Ricciardi.
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Miart 2026: New Directions — novas trajetórias para uma feira em transformação
Por Chiara Lombardi — 07 de abril de 2026
Faltam poucos dias para a abertura de Miart 2026, que celebra a sua 30ª edição de 17 a 19 de abril. A feira internacional de arte moderna e contemporânea de Milão apresenta-se este ano com um movimento deliberado de reinvenção: o título curatorial é New Directions, uma homenagem explícita ao jazz e, em particular, ao álbum homônimo de John Coltrane. A referência não é casual — funciona como uma metáfora para um projeto centrado em escuta, diálogo e transformação, o verdadeiro roteiro oculto da sociedade traduzido em curadoria.
Sob a direção artística de Nicola Ricciardi, a proposta de Miart 2026 afirma que identidade e mudança são compatíveis. A feira não abandona suas raízes; antes, relê a própria história sob o signo da improvisação e da relação entre linguagens, convertendo a experiência do público em uma partitura aberta. Essa nova leitura também se manifesta na mudança de sede: a Sul Wing (South Wing) do Allianz MiCo, com frente para a área de CityLife, será o palco desta edição. Um espaço mais compacto, em três níveis, pensado para facilitar o diálogo direto entre projetos expositivos — uma escolha com valor simbólico, que reforça a ideia de uma feira em movimento entre memória e futuro.
Participam 160 galerias vindas de 24 países, chamadas a traçar mais de um século de história da arte — dos mestres do início e do meio do século XX às pesquisas mais recentes. Assim, Miart 2026 confirma sua vocação como plataforma onde moderno e contemporâneo convivem sem hierarquias rígidas.
A estrutura editorial da feira divide-se em três interseções que partilham um mesmo ritmo. Established, com 111 galerias, constitui o núcleo, reunindo espaços consolidados capazes de atravessar diferentes estações da arte e com incursões ao design de autor. Established Anthology, uma metasseção com 20 galerias, propõe projetos que funcionam como reflexões sobre o tempo, colocando em relação obras históricas e práticas contemporâneas — uma espécie de espelho do nosso tempo. Por fim, Emergent amplia o olhar para as pesquisas jovens e experimentais, com 29 galerias que investem nas novas gerações; muitas delas participam pela primeira vez.
Miart 2026 surge, portanto, como um encontro onde a feira se apresenta não apenas como vitrine, mas como campo relacional — um eco cultural que nos pede não só olhar, mas escutar os sinais de mudança. Em tempos em que o contemporâneo exige reinterpretações constantes, a escolha de um conceito inspirado no jazz é exemplar: improvisação como método, diálogo como forma e transformação como destino.
Para curadores, galeristas e público, a edição promete ser um roteiro de intensidade — uma sequência de cenas em que cada obra é tanto protagonista quanto reflexo de um contexto maior. Miart volta a afirmar-se como um palco onde o passado dialoga com o futuro, e onde a arte continua a escrever, em acordes e dissonâncias, o roteiro do nosso tempo.