Mostra de Veneza 2026: do red carpet à arena rock — as estrelas mais aguardadas no Lido
Mostra de Veneza 2026: do Lido às presenças de Oasis, Clooney, Penélope Cruz, Bardem e mais — o festival entre tapete vermelho e arena rock.
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Mostra de Veneza 2026: do red carpet à arena rock — as estrelas mais aguardadas no Lido
Por Chiara Lombardi — O Festival de Veneza da edição 83, marcado de 2 a 12 de setembro, promete transformar o Lido num palco híbrido entre tapete vermelho e arena musical. Depois do ritual coletivo de 2015 com Vasco Rossi, agora é a vez dos irmãos Oasis — Liam e Noel Gallagher — chegarem para apresentar o documentário Don't Look Back In Anger, cujo lançamento nos cinemas italianos está previsto para 10 de setembro pela Disney. A expectativa tem a textura de um show: mais aplausos, menos etiqueta formal.
Mesmo com a ausência, semelhante à de Cannes, de grandes produções de estúdio hollywoodiano, a Mostra de Veneza não ficará sem glamour. Entre as presenças mais comentadas está George Clooney, cuja relação com Veneza é quase uma novela de amor cinematográfica. Em 2026 ele não vem para mostrar um filme, mas para receber o Leone d'oro alla Carriera. Rumores alimentam pequenas fantasias: e se Julia Roberts surgisse para entregar o prêmio? Nada confirmado, porém a expectativa é parte do espetáculo.
O red carpet também será palco de reencontros e declarações públicas. A dupla Penélope Cruz e Javier Bardem desembarca para Bunker, em competição e dirigido por Florian Zeller — provável promessa de momentos calorosos e entrevistas com impacto, especialmente vindas de Bardem. Do elenco de Bunker espera-se ainda a participação de Stephen Graham, Paul Dano e Patrick Schwarzenegger, nomes que acrescentam textura internacional ao filme.
Do lado dos jovens ícones e das antevisões que já mobilizaram fãs, está Robert Pattinson, presente com Primetime de Lance Oppenheim. A programação traz também títulos que conversam com paisagens artísticas distintas: Ink, de Danny Boyle, com Jack O’Connell, Guy Pearce e Claire Foy; e Company, assinado por Casey Affleck.
O festival articula ainda encontros de gerações: Martin McDonagh chega com Wild Horse Nine, estrelado por John Malkovich, Sam Rockwell e Steve Buscemi. E para aqueles que leem a tela como se fosse um arquivo de memórias sonoras, a vinda de Russell Crowe com o documentário What Love Builds — uma espécie de confissão entre cinema e música — promete reverberar reverência e intimidade pública.
Também são aguardados nomes como Orlando Bloom, que aparece em produções capazes de ligar o mainstream à mitologia pop; Kate e Rooney Mara, com possibilidades de passagens conjuntas pelo tapete; e a presença contínua de figuras como Joaquin Phoenix, cuja sombra de Joker e Joker: Folie à Deux ainda projeta debates sobre performance e controvérsia.
Há, por fim, uma nota sobre o ecossistema cultural que a Mostra simboliza: quando o festival abre espaço para uma banda britânica que virou ícone pop-rock e para cineastas de perfis tão distintos, ele não apenas exibe filmes — ele encena o nosso tempo. O Lido se apresenta como espelho e palco, onde a memória coletiva e o entretenimento se cruzam num roteiro que diz muito sobre quem somos e como queremos ser vistos.
Enquanto as luzes se preparam para acender sobre o canal Giudecca e as escadarias, o público e a crítica aguardam cenas que vão do íntimo ao grandioso. E se a Mostra de 2026 for mesmo uma arena rock, será porque o cinema continua, sempre, a tocar os acordes da nossa contemporaneidade.
