One Night Only: Callum Turner e Monica Barbaro dizem como a FOMO transforma o amor moderno
Callum Turner e Monica Barbaro falam sobre 'One Night Only' e como a FOMO molda o amor moderno. Estreia na Itália em 26/08 pela Universal Pictures.
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One Night Only: Callum Turner e Monica Barbaro dizem como a FOMO transforma o amor moderno
“A FOMO nos rouba o presente, mesmo no amor.” É com essa afirmação que Callum Turner — e Monica Barbaro — conversam com a imprensa sobre One Night Only - Quando tutto è possibile, a nova comédia romântica de Will Gluck, sucessora do filme Tutti tranne te. O comentário, feito em entrevista à Espresso Italia, funciona como um espelho do nosso tempo: o roteiro revela tanto a pressa de escolher quanto a urgência em experienciar.
No filme, que estreia nas salas italianas em 26 de agosto pela Universal Pictures, Turner e Barbaro interpretam Owen e Allie, dois estranhos que se encontram na noite menos previsivelmente romântica do ano — a única em que os solteiros têm permissão social para transar. Entre contratempos, faíscas inesperadas e diálogos que os levam além do que haviam planejado, nasce uma ligação mais autêntica do que ambos imaginavam. É justamente nessa tensão entre convenção e surpresa que o longa encontra o seu pulso.
Na entrevista, os atores refletem sobre como essa dinâmica encapsula a experiência amorosa contemporânea. Para Turner, a chamada FOMO — o medo de perder algo — funciona como uma lente distorcida: “Estamos sempre à procura do próximo momento, e isso nos impede de habitar o agora”, diz ele, evocando uma crítica sutil ao ritmo acelerado das relações atuais. Barbaro complementa que a comédia romântica, quando bem feita, não é apenas entretenimento; é uma cartografia das expectativas culturais.
Como observadora cultural, penso que One Night Only se coloca como um pequeno dispositivo semiológico: usa a noite permitida como convenção dramática para expor a ansiedade coletiva sobre escolhas afetivas. O filme opera como um reframe da realidade sentimental — fazendo da noite proibida um palco onde os personagens testam possibilidades e, sem perceber, reconstroem uma ideia de intimidade que foge ao roteiro pré-fabricado das apps e tendências.
Will Gluck, que retorna ao gênero após o sucesso de Tutti tranne te, propõe um equilíbrio entre a leveza da comédia e a densidade de um tema contemporâneo. Turner e Barbaro conduzem essa ambiguidade com naturalidade: ele, com a reserva de quem observa as engrenagens sociais; ela, com a vivacidade cética de quem busca autenticidade. O resultado é uma narrativa que, sob a fachada de noite única, sugere que as verdadeiras histórias de amor nascem da disponibilidade emocional e da recusa ao automatismo.
Em termos simbólicos, o longa nos convida a olhar além do clique imediato — a lembrar que o amor não é só um evento a ser consumido, mas um processo que exige presença. Em tempos de conexão instantânea, One Night Only funciona como um lembrete elegante: há um roteiro oculto que ainda nos liga ao outro, e encontrá-lo pode ser, paradoxalmente, a maior das possibilidades.

