Phillips alcança US$115,2 mi vendendo 100% dos lotes na Modern & Contemporary Evening Sale
Phillips vende 100% dos lotes na Modern & Contemporary Evening Sale e alcança US$115,2 milhões, com recordes e obras de Warhol, Monet e Pollock.
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Phillips alcança US$115,2 mi vendendo 100% dos lotes na Modern & Contemporary Evening Sale
Por Chiara Lombardi - 20 de maio de 2026
Em uma noite que soou como um roteiro cuidadosamente escrito para testar os limites do mercado, a Modern & Contemporary Evening Sale da Phillips atingiu a marca de US$115.216.700, superando com folga o resultado do ano anterior e confirmando que o mercado de arte contemporânea segue vigoroso. O leilão registrou o notável índice de 100% dos lotes vendidos e a realização integral do valor estimado, sinal claro de confiança e liquidez entre colecionadores e instituições.
Robert Manley, Chairman and Worldwide Head, Modern and Contemporary Art, descreveu a sessão como um reflexo da profundidade e do entusiasmo dos compradores: os primeiros três lotes já romperam as estimativas máximas e imprimiram o tom de uma noite intensa. Entre os pontos altos, obras de Salman Toor, Cecily Brown e Lee Bontecou alcançaram resultados expressivos; a rara Untitled de Bontecou estabeleceu um novo recorde após quase cinco minutos de sucessivos lances.
O ranking dos maiores resultados foi liderado por Andy Warhol, com Sixteen Jackies arrematado por US$16,2 milhões. Ainda no topo, uma paisagem nevada de Claude Monet alcançou perto de US$10 milhões, enquanto uma obra de aproximadamente 1948 de Jackson Pollock foi vendida por US$9,2 milhões. Esses números não só representam grandes negócios, mas atuam como um espelho do nosso tempo: a procura por ícones do século XX persiste como termômetro cultural e econômico.
O leilão também consagrou novos recordes de mercado: Pat Passlof, em sua estreia em leilões, e artistas como P. S. Krøyer e Joseph Yaeger viram seus trabalhos alcançarem cotações inéditas. Esse movimento evidencia uma reconfiguração no roteiro do colecionismo, em que nomes emergentes e redescobertas se alternam com mestres consagrados.
Uma narrativa à parte foi a performance da coleção do embaixador John L. Loeb Jr., já bem recebida nas vendas de Londres: as peças dessa coleção somaram US$8,4 milhões, e duas obras de Vilhelm Hammershøi — Courtyard Interior at Strandgade 30 e Study of standing woman, seen from behind — foram adquiridas por importantes instituições, reafirmando o papel duradouro desses acervos no diálogo público com a história da arte.
Do lado das coleções particulares, a contribuição do Estate of Tina Hills foi destacada pela venda de Plaid de Joan Mitchell por mais de US$6,8 milhões. E não apenas os grandes nomes brilharam: a iniciativa de Priority Bidding da Phillips — um mecanismo que estimula lances antecipados — se mostrou eficaz, elevando quase seis vezes o volume de ofertas antecipadas nesta Evening Sale.
Ao observarmos esse leilão pelo prisma cultural, fica claro que o evento não foi apenas a transação de objetos valiosos, mas um reframe sobre como a memória estética e a visibilidade institucional se traduzem em valor. Em um momento em que o mercado contracena com economia e representatividade, a Phillips ofereceu uma sessão que mais parece um espelho do nosso tempo: onde o gosto, a aposta e a visão histórica se encontram no mesmo lance.