Rai revela os 8 vencedores da XXXVII edição do Musicultura: novo pulso da canção autoral

Rai apresenta os 8 vencedores da XXXVII Musicultura; final no Sferisterio com convidados e curadoria de Ezio Nannipieri. Conheça nomes e estatísticas.

Rai revela os 8 vencedores da XXXVII edição do Musicultura: novo pulso da canção autoral

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Rai revela os 8 vencedores da XXXVII edição do Musicultura: novo pulso da canção autoral

Por Chiara Lombardi — Em um momento em que a cena musical se apresenta como espelho do nosso tempo, a Rai anunciou oficialmente os oito vencedores da XXXVII edição do Musicultura, cuja final ao vivo acontecerá no histórico Sferisterio nos dias 19 e 20 de junho de 2026. A condução das duas noites ficará, pelo segundo ano consecutivo, com Carolina Di Domenico e Fabrizio Biggio, promessa de um encontro entre leveza e intervenção crítica no palco.

O cartaz de convidados revela a amplitude do espetáculo: Brunori Sas, Tosca, Planet Funk, Le Vibrazioni, Maria Antonietta & Colombre, Riccardo Rossi, Santamarea, Giampaolo Morelli e Alan Sorrenti prometem compor um mosaico sonoro que dialoga tanto com a memória quanto com o presente.

Os oito vencedores — jovens artistas cuja escrita é também um ato de coragem e clareza — foram apresentados com a cidade de procedência e os títulos das canções, todas autorais:

  • Rosita Brucoli, Milano — Agente!;
  • Claudio Covato, Siracusa — Chiddu ca ma resta;
  • DDUMA, Lecce — Fimmine de guerra;
  • MEZZANERA, Bologna — Piume;
  • Narratore Urbano, Torino — Il mio coinquilino vuole uccidermi;
  • Isabella Privitera, Bologna — Eya;
  • Giovanni Toscano, Pisa — Emma;
  • Giulia Trovò, Treviso — Se non dovessi più tornare.

Como observa o diretor artístico Ezio Nannipieri, esses artistas “são o novo que avança”: nas suas palavras, representam a superação dos totens novecentistas, trazendo uma esperança que não se entrega ao consolo vazio, mas que aparece como prática cotidiana — um repertório de decência que reconstrói o viver comum. Nannipieri também destaca a “força caleidoscópica” dos convidados, antecipando um impacto performático plural sobre o público. Um apelo humano fecha a nota: o cantor Ron não poderá comparecer por prescrição médica; a organização envia a ele votos de pronta recuperação, enquanto a figura de Rosalino recebe um afetuoso adeus.

A vitória destes oito nomes não é fruto do acaso: o percurso do Musicultura começou em novembro com um recorde histórico de 2.656 canções inscritas. Foram mais de três meses de curadoria e escuta, uma triagem que selecionou 60 propostas para as Audizioni Live no Teatro Lauro Rossi, em Macerata — 10 noites esgotadas e cerca de 5.000 espectadores presencialmente, além de mais de 2 milhões de visualizações em streaming. Depois, 16 finalistas tocaram em duas noites no Teatro Persiani, em Recanati, com transmissão ao vivo pela Rai Radio1 e streaming em Rainews.it. A compilação com os finalistas está disponível nas principais plataformas digitais.

O prêmio mantém também uma tradição institucional: o Comitê Artistico di Garanzia — cuja assinatura inaugural, em 1990, contou com Fabrizio De André e Giorgio Caproni — foi responsável pela escolha dos oito vencedores desta edição, confirmando o fio histórico que liga música autoral, responsabilidade cultural e compromisso público.

Em seu conjunto, a XXXVII edição do Musicultura se configura como um cenário de transformação, onde vozes diversas reescrevem o cotidiano com urgência e lirismo. São artistas que recusam a linguagem empedrada e propõem um reframe — um novo roteiro público —, fazendo do palco uma lente crítica e afetiva sobre o presente.