Underskin: a nova exposição de Greta Pllana sobre o corpo feminino abre em Milão
Underskin: Greta Pllana explora o corpo feminino em pinturas que misturam vulnerabilidade e resistência. Abertura em Milão, 20 de maio.
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Underskin: a nova exposição de Greta Pllana sobre o corpo feminino abre em Milão
Por Chiara Lombardi — A galeria L'Appartamento em Milão inaugura no dia 20 de maio Underskin, a mostra individual de Greta Pllana, com curadoria de Benedetta De Magistris e Anna Vittoria Magagna, em colaboração com o L'Essenziale Studio. O projeto reúne um conjunto de obras pictóricas produzidas nos últimos dois anos e se apresenta como uma investigação sensorial sobre o corpo feminino entendido como um território permeável — um verdadeiro arquivo vivo onde memórias, traumas e desejos se depositam e se transformam.
A pintura de Pllana se desenvolve por meios processuais e densos: superfícies que resistem ao enquadramento estático, cromias sensíveis e mutáveis que fazem as figuras oscilar entre a presença e a dissolução. Essas superfícies funcionam como camadas de um roteiro oculto da sociedade, em que experiências íntimas se entrelaçam com geografias maiores — lugares, laços, construções sociais — e dão corpo a tensões emocionais que são, simultaneamente, pessoais e coletivas.
Dentro deste cenário, a presença dos fiori (flores) assume papel central. Longe de um ornamento, as flores emergem como extensões orgânicas do corpo: sinais de vulnerabilidade e, ao mesmo tempo, de resistência. Elas estabelecem um diálogo entre corpo e natureza, abrindo possibilidades de metamorfose e reframe da realidade — uma semiótica do viral que redefine a relação entre fragilidade e força.
As obras apresentam tonalidades por vezes intensas e dissonantes que provocam uma sensação de instabilidade deliberada. As cenas evocam estados liminares — controle versus perda, exposição versus retraimento — e convidam o visitante a uma reflexão crítica sobre como o corpo feminino se constitui hoje: como superfície de registro, campo de batalha e, ainda, espaço de regeneração possível. Underskin opera, portanto, como um gesto duplo: um ato de cuidado e, simultaneamente, um testemunho.
Os corpos que atravessam o percurso expositivo aparecem vulneráveis, sem contudo renunciarem a uma potência resiliente. Inseridos em processos contínuos de transformação, eles propiciam uma experiência que pede introspecção — um convite à construção de um lugar íntimo onde a fisionomia do vivido possa florescer novamente. A mostra funciona como um espelho do nosso tempo, revelando o entrelaçar de memória e corpo em imagens que permanecem em suspensão.
Biografia resumida: Greta Pllana (Albânia, 1992) trabalha com pintura e desenho como instrumentos de investigação das memórias, das origens e dos afetos. A natureza e o símbolo assumem papel recorrente em sua obra, usados para refletir sobre a relação entre indivíduo e território. O corpo, para Pllana, é sempre uma soglia, uma limiar — um dispositivo de indagação em que temas como silêncio e vulnerabilidade retornam com frequência.
Underskin promete não apenas exibir um conjunto de pinturas, mas criar um espaço crítico e poético: um cenário de transformação onde o espectador é convidado a reconhecer nas camadas das obras o roteiro oculto que nos atravessa. A exposição abre em 20 de maio na galeria L'Appartamento, Milão.