Alphabet anuncia venda de até US$80 bilhões em ações para acelerar investimentos em inteligência artificial
Alphabet planeja captar até US$80 bi em ações para financiar infraestrutura de IA; Berkshire Hathaway compra US$10 bi e eleva posição para ~US$32 bi.
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Alphabet anuncia venda de até US$80 bilhões em ações para acelerar investimentos em inteligência artificial
Por Stella Ferrari — Em mais um movimento que recalibra o motor financeiro do setor tecnológico, a Alphabet comunicou a intenção de captar até US$80 bilhões em capital acionário para financiar suas robustas infraestruturas de inteligência artificial. A operação marca uma virada estratégica para uma companhia que, até recentemente, figurava entre as maiores recompradoras de ações em Wall Street.
Parte essencial dessa captação é a venda privada de US$10 bilhões para a Berkshire Hathaway, que iniciou aquisições de participação na controladora do Google desde o terceiro trimestre de 2025. O acordo deverá elevar a exposição da Berkshire em Alphabet a cerca de US$32 bilhões, valor que representa aproximadamente um décimo do portfólio acionário da holding.
Fontes consultadas ao Financial Times indicam que a decisão de ampliar capital acionário visa diversificar fontes de financiamento diante de um horizonte de gastos elevados em IA. Os grandes grupos de tecnologia dos EUA esperam investir cerca de US$725 bilhões em inteligência artificial ao longo deste ano — um volume que começa a tensionar estruturas financeiras antes sustentadas por fluxo de caixa operacional e emissão de dívida.
A Alphabet reiterou que a captação apoiará “as significativas oportunidades de crescimento futuro” trazidas pela inteligência artificial. A empresa também confirmou planos de desembolsar até US$190 bilhões em capex neste ano, com expectativa de que esse montante aumente “significativamente” em 2027.
Apesar de geração robusta de caixa operacional no ano passado — cerca de US$174 bilhões —, a companhia vem recorrendo ao endividamento: foram contraídos aproximadamente US$85 bilhões em novos empréstimos recentemente, e a dívida total da Alphabet já supera os US$100 bilhões. A necessidade de equilibrar alavancagem e liquidez explicou, em parte, a opção por ampliar capital via ações.
Os investimentos em inteligência artificial já produzem sinais concretos de aceleração de receita: o segmento Google Cloud reportou, no primeiro trimestre, um crescimento de receita de 63% em relação ao ano anterior, atingindo cerca de US$20 bilhões. Para investidores e gestores, trata-se de uma prova de conceito — porém uma que exige uma infraestrutura de escala industrial.
Como estrategista econômica, vejo essa operação como a recalibração de um motor em plena rotação: a Alphabet está trocando parte da sua estratégia de recompra por uma injeção de capital que preserva flexibilidade para sustentar a aceleração das tendências em IA. É uma escolha de design de políticas corporativas que equilibra crescimento e solidez do balanço.
Em termos práticos, a oferta representa uma das maiores captações de capital da história recente do setor e também um gesto de confiança por parte da Berkshire — movimento que reforça a narrativa de que a corrida pela infraestrutura de IA exige veículos de financiamento variados, não apenas fluxo de caixa e dívida. A resposta do mercado e a execução desse plano serão determinantes para a próxima fase de investimento das big techs.