Ameaça de novos dazis dos EUA derruba bolsas; Piazza Affari cai 1,07%

Novos dazis dos EUA e incerteza geopolítica pressionam bolsas; Piazza Affari cai 1,07% e petróleo Brent sobe para US$97,50.

Ameaça de novos dazis dos EUA derruba bolsas; Piazza Affari cai 1,07%

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Ameaça de novos dazis dos EUA derruba bolsas; Piazza Affari cai 1,07%

As bolsas europeias e os mercados de Nova York registraram recuos moderados, pressionadas pela combinação de incertezas geopolíticas e pela perspectiva de medidas protecionistas dos Estados Unidos. Em Roma e Milão, os investidores respiraram com cautela após os movimentos nas últimas horas que mudaram a dinâmica do mercado.

Em destaque, Piazza Affari fechou em queda de -1,07% — um retrocesso sensível, especialmente considerando que a praça financeira italiana havia atingido recorde histórico na sessão anterior. Londres e Paris limitaram as perdas; já Frankfurt apresentou recuo mais pronunciado, de -1,30%.

O aumento das tensões no Oriente Médio, refletido em recentes confrontos entre Estados Unidos e Irã, elevou o preço do petróleo Brent em cerca de 1,5% em relação ao fechamento anterior, negociado agora perto de US$ 97,50 por barril. Apesar da alta, o Brent ainda se mantém abaixo do patamar de US$ 100, nível que não alcança desde 22 de maio.

Pesou também nos mercados a notícia de que a administração Trump estuda impor novos dazis aduaneiros de 10–15% sobre produtos de países como Canadá, México, China e Suíça, por suposta produção vinculada a trabalho forçado. A medida, apresentada pela Casa Branca como forma de proteger o mercado de trabalho norte-americano, adicionou um componente de risco comercial que ressoou fortemente entre investidores globais.

O setor automotivo foi um dos mais afetados pela notícia; os papéis recuaram com força em Frankfurt e em Milão. Na Borsa Italiana, o maior recuo coube à Stellantis, com queda em torno de -4%. Em contrapartida, o setor de saúde registrou desempenho relativo positivo, com Diasorin avançando cerca de +2,50%.

Em Wall Street, o painel principal sofreu ligeiro recuo; o S&P 500 caiu de forma marginal enquanto o Nasdaq recuou -0,60%, ambos vindo de máximas históricas registradas na véspera.

Os indicadores econômicos dos EUA trouxeram sinais mistos. O relatório ADP mostrou criação de 122 mil vagas em maio, acima das 105 mil de abril, enquanto o índice PMI de serviços caiu de 50,9 para 50,7, ficando abaixo das expectativas de 50,9. Esses dados contribuíram para uma reavaliação das perspectivas de política monetária e de crescimento.

No segmento de renda fixa, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA seguiram em alta: o título de 10 anos atingiu 4,5% (+4 pontos base) e o de 30 anos ultrapassou 5%. Na Itália, o rendimento do BTP de 10 anos subiu para 3,74%, avançando 5 pontos base após a queda de ontem.

Em suma, a combinação de risco geopolítico — que atua como um freio na confiança — e a ameaça de medidas protecionistas nos Estados Unidos criou uma fase de 'calibragem' nos mercados: investidores buscam proteger posições enquanto reequacionam risco e retorno. Como estrategista, vejo essa movimentação como uma desaceleração tática, onde o motor da economia precisa ser ajustado para manter a estabilidade do portfólio em ambiente de maior volatilidade.