Brent dispara acima de US$117 por risco no Estreito de Ormuz; mercados europeus em queda

Brent sobe acima de US$117 por risco no Estreito de Ormuz; bolsas europeias caem e mercados aguardam decisões da BCE e Fed.

Brent dispara acima de US$117 por risco no Estreito de Ormuz; mercados europeus em queda

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Brent dispara acima de US$117 por risco no Estreito de Ormuz; mercados europeus em queda

As perspectivas de um bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz atuaram como combustível para a alta do petróleo: o Brent de junho superou os US$117,6 por barril, avançando cerca de +5,7%, enquanto o WTI ultrapassou os US$105,8 por barril. A curva de preços, porém, mostra expectativas de alívio: o future de julho do Brent cotado a ~US$105 sugere que o mercado projeta uma solução parcial nos próximos meses.

O choque no fornecimento energético funciona como um ajuste no motor da economia, exigindo recalibração dos riscos e das carteiras dos investidores. Em resposta, as principais praças financeiras europeias encerraram em território negativo: Milão caiu 0,51% após o ganho de +0,77% do dia anterior; quedas similares foram registradas em Paris e Frankfurt, enquanto Londres sentiu o impacto de forma mais pronunciada, com -1,19%.

As trimestrais corporativas continuam a ditar movimentos: UBS subiu +2,71%, Deutsche Bank recuou -1,83% e Adidas valorizou cerca de +8% em Frankfurt após divulgar resultados. Em Milão, destaque para Nexi, que avançou +2,85% e atingiu máximos do ano em meio a rumores sobre uma possível oferta do CVC Capital Partners. O setor de tecnologia também foi impulsionado: STMicroelectronics saltou +5,96%, recuperando terreno após os recuos do segmento de semicondutores.

Por outro lado, setores sensíveis à política monetária sofreram mais: Enel caiu -2,79% e Hera recuou -3,47%. As utilities estão entre as mais penalizadas pela perspectiva de um aperto nas taxas. Amanhã a BCE decidirá sobre os juros, uma decisão que exige precisão de engenharia — uma verdadeira calibragem de políticas para evitar freios bruscos na atividade.

Nos EUA, a atenção se volta para a Fed, que realiza hoje sua última reunião sob a presidência de Jerome Powell. Enquanto aguardam o comunicado, os índices americanos mostram alguma fraqueza: S&P 500 e Nasdaq caem cerca de -0,10%, e o Dow Jones recua -0,63%. Após o fechamento do pregão serão divulgados os balanços dos gigantes de tecnologia: Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft, resultados que podem redesenhar o humor do mercado.

Ontem, a notícia de que a OpenAI não atingiu as metas de faturamento pressionou ações de chips e memórias; hoje houve um movimento de recuperação no setor, refletindo a natureza episódica das reações a notícias tecnológicas.

Como estrategista, observo que estamos diante de dois vetores de volatilidade: um choque de oferta energético, que age como uma aceleração inesperada no motor dos preços de commodities, e a incerteza sobre a trajetória das taxas de juros, que exige precisão na calibragem das decisões dos bancos centrais. Para investidores, a recomendação é ajustar exposições com disciplina, privilegiando liquidez e proteção em setores sensíveis a choques de energia e juros.

Assinado, Stella Ferrari — Economista sênior, voz de economia e desenvolvimento da Espresso Italia.