Confindustria aponta cinco alavancas para recolocar empresas no centro da recuperação econômica

Confindustria propõe cinco alavancas — energia, PME, IA, simplificação, recursos fiscais — para recolocar empresas no centro da recuperação italiana.

Confindustria aponta cinco alavancas para recolocar empresas no centro da recuperação econômica

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Confindustria aponta cinco alavancas para recolocar empresas no centro da recuperação econômica

Por Stella Ferrari — Em um momento em que o motor da economia italiana pede recalibragem, a Confindustria apresentou cinco prioridades estratégicas destinadas a reposicionar a empresa como eixo do crescimento. O presidente da associação, Emanuele Orsini, convidou forças políticas e sociais a um ato de responsabilidade nacional, propondo medidas pragmáticas que unem energia, dimensão empresarial, inovação, simplificação regulatória e alocação eficiente de recursos fiscais.

A primeira alavanca é a energia. Orsini defendeu a retomada da competência exclusiva do Estado sobre o setor energético, a aceleração do retorno ao nuclear e a remoção de entraves para grandes parques fotovoltaicos e eólicos. Trata-se de atuar sobre a base da oferta — a matéria-prima da indústria — para reduzir volatilidade e custos, essencial para recuperar a competitividade das empresas.

A segunda leva foca na crescimento dimensional e tecnológico das PME. A proposta inclui incentivos fiscais robustos a fusões e aquisições, extensão do iperammortamento e inclusão de investimentos em software e cloud entre os estímulos elegíveis. Em termos de design de políticas, é a calibragem que permite às empresas ganhar escala e capacidade tecnológica sem sobrecarga tributária.

A terceira prioridade é o reforço dos contratos de desenvolvimento. A Confindustria propõe aumentar, de forma seletiva, as alíquotas de incentivo para tecnologias estratégicas e expandir a experimentação e aplicação rápida da inteligência artificial em todas as cadeias da manufatura. Complementarmente, sugere-se um projeto educacional para formar em IA já no ciclo dos ensinos secundários, preparando talentos para a aceleração de tendências digitais.

A quarta alavanca é a simplificação normativa e a reforma da Lei 231 sobre responsabilidade administrativa das entidades. A instabilidade regulatória é descrita como um "mal antigo": políticas claras e estáveis funcionam como freios fiscais adequados, não como travões que paralisam investimentos. A Confindustria pede a replicação do modelo das ZES únicas, que gerou quase 1.300 autorizações únicas em pouco mais de dois anos, com impacto econômico estimado em mais de 55 bilhões de euros e mais de 60 mil empregos, com gasto público em torno de 5 bilhões.

Por fim, a quinta alavanca refere-se às recursos fiscais compatíveis com objetivos de competitividade. Hoje existem 575 medidas fiscais que erosionam cerca de 120 bilhões da base tributária. A proposta é revisar e racionalizar essas medidas para identificar 20 bilhões a realocar sem aumentar a dívida: um terço para crescimento, um terço para saúde e um terço para educação. Além disso, recomenda-se mobilizar capital privado e investimentos via incentivos fiscais, relançar os PIR e introduzir, com urgência, contas de poupança e investimento voltadas a pessoas físicas.

Como estrategista que observa mercados globais com olhos de engenharia financeira, interpreto o documento da Confindustria como uma proposta de reengenharia do ecossistema empresarial: trata-se de otimizar fluxos energéticos, dar torque às PME, acelerar a adoção da IA e reduzir atrito regulatório — tudo isso sustentado por uma revisão criteriosa dos instrumentos fiscais. A questão agora é transformar essas alavancas em projeto operativo, com metas, cronogramas e indicadores de desempenho. Sem isso, boas intenções ficam no limiar entre o design de políticas e a simples promessa.