Congedo de maternidade e paternidade na Itália: avanços, limites e comparação europeia para a Festa della Mamma
Itália ampliou o congedo de maternidade para 22 semanas a 80% em 2025, mas fica em 15º na Europa; paternidade segue atrás. Análise comparativa 2026.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Congedo de maternidade e paternidade na Itália: avanços, limites e comparação europeia para a Festa della Mamma
Desde janeiro de 2025, a Itália ampliou o congedo de maternidade para 22 semanas com remuneração de 80%, uma calibragem importante no motor das políticas familiares, mas ainda insuficiente para posicionar o país entre os líderes europeus. No relatório global 2026 da World Population Review, a Itália aparece apenas em 15º lugar na Europa. Em temas de paternidade, o ritmo de mudança é ainda mais lento: segundo a OCSE, o país ocupa somente a 10ª posição.
Uma leitura por países revela contrastes significativos. À frente da Itália estão Polônia (26 semanas remuneradas a 100%), Hungria (24 semanas a 70%) e San Marino (22 semanas a 100%). No topo do quadro europeu está a Croácia, que garante 58 semanas de congedo de maternidade com pagamento integral até seis meses, seguido por Montenegro (52 semanas a 100%), Reino Unido (52 semanas com combinação de percentuais e tetos), Bósnia e Herzegovina (52 semanas com escalonamento entre 50% e 80%), Albânia (52 semanas com 80% antes do parto e diferentes percentuais depois), Irlanda (42 semanas, das quais 26 remuneradas a 80% até um teto legal), Macedônia do Norte (39 semanas a 100%) e Noruega (35 semanas a 100% ou opção por dias a 80%).
No panorama global, os Estados Unidos figuram como exceção: a legislação federal (Family and Medical Leave Act) prevê apenas 12 semanas de afastamento, não remuneradas, aplicável majoritariamente a empresas com 50 ou mais empregados e a trabalhadores com pelo menos 12 meses de serviço. Esse é um lembrete de que a engrenagem legislativa e a proteção social podem variar drasticamente entre economias avançadas.
Quando voltamos o motor para o congedo de paternidade, a heterogeneidade europeia torna-se ainda mais evidente. Modelos nórdicos e a Espanha apontam o caminho da partilha efetiva de cuidados com programas robustos e quotas individuais não-transferíveis — design de políticas que acelera a igualdade intrafamiliar. A Espanha, por exemplo, destaca-se com 16 semanas de congedo de paternidade integralmente remuneradas, enquanto outros países escandinavos asseguram regimes generosos com porções reservadas especificamente aos pais.
Por outro lado, em boa parte da Europa central e oriental, e ainda na própria Itália, os períodos destinados aos pais continuam frequentemente restritos a dias ou a semanas curtas obrigatórias, insuficientes para promover uma mudança estrutural na divisão do trabalho doméstico e no mercado de trabalho. Em termos de economia e desenvolvimento, isto significa que a política pública ainda não está plenamente alinhada com a necessidade de aumentar a participação masculina nos cuidados e reduzir os custos de oportunidade para as mulheres no trabalho.
Em suma, os ganhos recentes da Itália representam uma aceleração relevante, mas a trajetória rumo à paridade e à competitividade europeia exige mais sobremedida: políticas com maior duração, níveis de remuneração compatíveis e mecanismos que incentivem de fato a presença dos pais. Só assim será possível afinar os freios e a aceleração do sistema de proteção social para construir um modelo sustentável e equitativo — uma verdadeira engenharia de alto desempenho para as famílias.