Europa na morsa do calor: hoje até 150 milhões a mais de 35°C e parada em Cernavodă
Europa enfrenta nova onda de calor: até 150 milhões acima de 35°C, incêndios e parada na usina de Cernavodă por baixo nível do Danúbio.
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Europa na morsa do calor: hoje até 150 milhões a mais de 35°C e parada em Cernavodă
Uma nova e intensa onda de calor — a quinta desde maio — aperta a Europa numa sequência de dias que serão lembrados como uma das estações mais quentes já registradas. Quase nenhum país do continente ficou imune: as previsões apontam para temperaturas altas que devem manter-se pelo menos até o fim de semana.
Na Espanha, o serviço meteorológico nacional projeta termômetros persistentemente acima dos 35 graus, com pontos de calor que podem chegar a 42 graus em áreas do sul e do nordeste. A França (Météo-France) espera picos especialmente no setor ocidental do país; já o Deutscher Wetterdienst prevê até 38 graus na Alemanha, sobretudo nas regiões oeste e sudoeste entre hoje e amanhã. Na Polônia, o Instituto de Meteorologia alertou para máximas próximas a 37 graus em regiões ocidentais, centrais e do norte.
No Reino Unido, registra-se um marco histórico: é o primeiro ano das séries observacionais em que o termômetro superou os 36 graus por quatro dias consecutivos. O Met Office ampliou a área sob alerta térmico, incluindo partes do noroeste como Greater Manchester e Cheshire, e prevê máximas que podem atingir 38 graus. Além do calor, cerca de vinte incêndios ativos afetam o centro e o sul do país; na França, mais de 80 departamentos permanecem em alerta laranja, e focos no Pas-de-Calais ainda não estão totalmente controlados.
Em termos de impacto humano, as estimativas divergem: manchetes apontam para cerca de 150 milhões de pessoas expostas hoje a temperaturas acima de 35 graus, enquanto um cálculo da AFP fala em mais de 135 milhões abrangidos pela onda de calor — variação compatível com diferentes metodologias de contagem e horários de medição. O que não muda é a conclusão: a amplitude e a intensidade do calor estão pressionando sistemas públicos e cadeias produtivas.
Governos já alertam para a pressão nos custos: a ministra francesa do Meio Ambiente, Monique Barbut, estimou perdas entre 10 e 15 bilhões de euros relacionadas às ondas de calor. Há preocupação explícita na viticultura francesa, onde a maturação precipitada das uvas pode antecipar a vindima e alterar o perfil de açúcares e acidez, afetando qualidade e preços.
Os efeitos no setor energético também são evidentes. Na Romênia, a única usina nuclear em operação foi completamente parada: a estatal Nuclearelectrica anunciou o desligamento da Unidade 2 da central de Cernavodă devido à queda do nível do Danúbio, que comprometeu o sistema de resfriamento da planta. É um lembrete técnico e estratégico de como a crise climática atua como um fator de atrito no motor da economia, exigindo calibragem rápida nas políticas de segurança energética.
Do ponto de vista estratégico, a sequência de ondas desde maio configura uma tendência estruturante: é preciso pensar políticas que atuem como freios e amortecedores — desde planos de prevenção e infraestrutura resiliente até instrumentos fiscais que mitiguem custos para setores críticos. A economia precisa de design de políticas orientadas à alta performance diante de choques climáticos intensos.
Assinado,
Stella Ferrari
Economista Sênior — Espresso Italia