Foti encerra ciclo de três anos em Scilla e aponta entraves no transporte para o relançamento do turismo
Foti encerra ciclo de 3 anos em Scilla e aponta entraves no transporte e na governança para relançar o turismo na Calábria.
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Foti encerra ciclo de três anos em Scilla e aponta entraves no transporte para o relançamento do turismo
Nino Foti, presidente da Fondazione Magna Grecia, marcou o encerramento de um ciclo de três anos dedicado ao estudo e ao relançamento do turismo em Scilla. Em evento de dois dias intitulado "Oltre il mare. I patrimoni per la continuità dell'offerta turistica", Foti traçou um balanço crítico e estratégico sobre as condições para transformar potencial em resultado sustentável.
“Estamos aqui como uma fundação que opera há 40 anos e hoje, depois de 3 anos, fechamos um ciclo. Scilla era uma ideia, uma intenção e se traduziu em realidade”, declarou Foti ao fazer o fecho dos trabalhos. A avaliação é clara: a região dispõe de ativos culturais e paisagísticos valiosos, mas a materialização do crescimento passa por um projeto coordenado de longo prazo.
Na leitura de Foti, um dos pontos centrais para essa revitalização do turismo é a conjunção entre competências, conhecimento e capital humano. “Para um desenvolvimento adequado não apenas desta área, mas de toda a Calábria, são necessárias competências, conhecimentos e capital humano, e isso só acontece quando a classe política e a empresarial se unem para fazer sistema em grande escala”, afirmou.
Se há projetos e vontade local, um freio operacional persiste: o sistema de transportes. Segundo Foti, a chegada da Alta Velocidade não depende da Região Calábria, exigindo decisões em níveis superiores: Roma e Bruxelas. Ele lembrou que a ligação rodoviária entre Salerno e Reggio Calabria não foi finalizada — uma obra que, na avaliação citada por Foti, foi deixada incompleta na transição entre governos, com cerca de 58 quilômetros pendentes — e que isso impacta diretamente a capacidade de atrair fluxo turístico contínuo.
O presidente também pontuou a limitação das conexões aéreas: embora haja várias companhias que ampliam o acesso, muitas operam em modelo low-cost e forçam itinerários indiretos, obrigando visitantes a aterrissar em Roma e seguir em trajetos desconectados, com horários pouco amigáveis. “Quem quer vir a estes lugares antes precisa pousar em Roma e depois vir até aqui, além de lidar com horários absurdos”, ressaltou Foti, atribuindo as falhas a uma vontade política insuficiente e à ausência de uma cultura de associazionismo.
Como estrategista econômica, avalio que a situação exige uma calibragem de políticas — desenho integrado de mobilidade, incentivos ao investimento qualificado e promoção de arranjos associativos entre operadores locais. O turismo aqui pode funcionar como motor da economia regional, mas precisa de um chassi institucional robusto e de parcerias público-privadas que acelerem a escala operacional. Sem esse alinhamento, o potencial permanece como um motor de alta performance sem o torque adequado.
Ao encerrar, Foti reforçou a necessidade de uma visão sistêmica: “Aqui cada um pensa em seu próprio condomínio; não é resignação, é desdém — falta a cultura do associativismo”. A recomendação é clara para gestores e investidores: unir capacidades, sincronizar agenda de infraestrutura e transformar o capital humano local em vantagem competitiva para que a promessa de Scilla se converta em fluxo turístico sustentável e de alto impacto econômico.


