Especialistas alertam: a guerra de preços do petróleo ainda está longe do fim
Especialistas alertam que a guerra de preços do petróleo, impulsionada pelo Irã e pelo bloqueio no Estreito de Ormuz, tem potencial para durar e elevar ainda mais o Brent.
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Especialistas alertam: a guerra de preços do petróleo ainda está longe do fim
Por Stella Ferrari — A escalada dos preços do petróleo transformou-se em uma arma estratégica do Irã nesta nova fase do confronto com os Estados Unidos e Israel. Um vídeo de propaganda iraniano, viral nas redes, exaltou a vitória de Teerã no front do mercado energético, exibindo cenas que ilustram a nova geopolítica do óleo.
No material, sete motovedetas armadas avançam em alta velocidade contra petroleiros, numa tentativa de interromper a navegação no Estreito de Ormuz. Em paralelo, imagens de investidores alarmados e produtores árabes desesperados pelo colapso das vendas reforçam o impacto econômico. A tática, além de simbólica, tem efeito direto sobre a oferta global e a percepção de risco.
"Os mercados energéticos tornaram-se um dos principais campos de batalha deste conflito", afirmou ao Financial Times Geoffrey Pyatt, ex-assessor de energia da Casa Branca. Segundo analistas, o regime iraniano aposta que pressionar os preços será uma alavanca eficaz contra a administração americana, especialmente num contexto eleitoral em que a política doméstica dos EUA é sensível à inflação e ao custo dos combustíveis.
O trunfo de Teerã tem sido, na prática, o bloqueio do Estreito de Ormuz — passagem pela qual normalmente transita cerca de um quinto do petróleo e do gás liquefeito mundial. O canal, com largura inferior a 21 milhas náuticas em alguns pontos, expõe os navios-tanques ao risco de ataques por drones e mísseis vindos da costa sul iraniana. Embora o Irã já tenha lançado ameaças no passado, esta é a primeira vez que atua de forma efetiva para restringir o tráfego.
A decisão de limitar o tráfego, combinada com ataques a infraestruturas energéticas de países vizinhos, sinaliza que para o regime a prolongação do conflito é uma questão de sobrevivência. "O Irã explorou essa vantagem e surpreendeu até mesmo observadores internos", declarou Hamid Hosseini, representante da União dos Exportadores de Petróleo iranianos, ressaltando que as exportações de Teerã ainda ocorrem, mas com grande volatilidade. "Se o confronto se estender, as reservas mundiais podem se esgotar", alertou.
O impacto nos mercados já tem números: projeções de agências e bancos apontam cenários extremos. Fontes citadas pela Bloomberg indicam que, se o bloqueio persistir por mais dois ou três meses, o preço do barril pode subir para cerca de US$ 160. Em conversas com traders em centros como Genebra e Nova York, representantes de Teerã chegaram a afirmar que o Brent poderia atingir até US$ 200 o barril.
Para a administração dos EUA, a pressão é dupla: política interna e estabilidade macroeconômica. Com as eleições de meio de mandato no radar, qualquer aceleração inflacionária, amplificada pelos preços dos combustíveis, pode afetar a base eleitoral dos republicanos. A Casa Branca, que inicialmente minimizou os efeitos do conflito, mudou de tom ao ver os mercados reagirem com forte alta.
Como estrategista que observa o motor da economia, vejo esse episódio como uma falha na calibragem das defesas globais de oferta: a aceleração de tendências geopolíticas convergiu com vulnerabilidades logísticas, testando os freios fiscais e monetários das principais economias. A resposta internacional terá de combinar medidas militares e diplomáticas, além de políticas de estoque e coordenação entre consumidores e produtores, para evitar que a instabilidade se torne um novo padrão estrutural.
Enquanto isso, mercados e governos monitoram o estreito com atenção de engenheiro: é preciso ajustar o projeto de segurança energética sem causar rupturas que prejudiquem a recuperação econômica global.


