Imatriculações na Europa sobem: ACEA aponta +13,6% em junho e elétricos impulsionam mercado no 1º semestre

ACEA: imatriculações de carros na UE sobem +13,6% em junho; elétricos impulsionam mercado no 1º semestre e mudam a hierarquia dos fabricantes.

Imatriculações na Europa sobem: ACEA aponta +13,6% em junho e elétricos impulsionam mercado no 1º semestre

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Imatriculações na Europa sobem: ACEA aponta +13,6% em junho e elétricos impulsionam mercado no 1º semestre

Por Stella Ferrari — O último boletim da ACEA revela que as imatriculações de automóveis novos na União Europeia aceleraram: +13,6% em junho ante o mesmo mês do ano anterior e +5,7% no acumulado do primeiro semestre de 2026. Apesar de um cenário geopolítico mais desafiador, o motor da economia automotiva encontra tração na transição energética, com os veículos elétricos na dianteira.

Nos primeiros seis meses do ano foram vendidas quase 5,9 milhões de unidades novas. A matriz de crescimento está claramente associada às políticas de estímulo e incentivos, que mantêm a demanda por elétricos em forte expansão. Entre janeiro e junho, todas as categorias eletrificadas mostraram crescimento: os totalmente elétricos (BEV) subiram +40,5% em relação ao mesmo período de 2025, os híbridos plug-in (PHEV) cresceram +22,5% e os híbridos não plug-in (HEV) avançaram +13,2%.

Mesmo com esse impulso, as HEV permanecem como o segmento mais procurado pelos europeus, com participação de mercado de 37,3%. Em contrapartida, os veículos com motor de combustão interna — gasolina e diesel — continuam a perder terreno, mas ainda representam 29,7% do mercado (ante 37,8% no primeiro semestre de 2025). A fatia dos carros totalmente elétricos saltou de 15,6% para 20,7% no mesmo comparativo anual.

Em termos absolutos, o ritmo de vendas coloca os BEV em patamar similar ao dos automóveis a gasolina: cerca de 1,2 milhão de unidades elétricas contra 1,3 milhão de veículos a gasolina no período. Essa aproximação ilustra a aceleração estrutural do mercado e a redistribuição da preferência do consumidor.

Geograficamente, três países contribuíram de forma decisiva para esse avanço: França (+62,9%), Alemanha (+48%) e Dinamarca (+41,2%), somando quase dois terços das novas imatriculações de elétricos. A perda de mercado dos carros a gasolina foi mais pronunciada na França (-34,2%), seguida por Espanha (-18,5%), Alemanha (-18,2%) e Itália (-17,1%).

No palco dos fabricantes, o ranking por participação permanece dominado pela Volkswagen, com 26,5% do mercado e crescimento de volume de 2,6%, apoiado por Skoda e Audi. Em segundo lugar aparece a Stellantis (16,4% do mercado), com vendas em alta de 6% impulsionadas por Fiat e Opel. A Renault caiu para o terceiro posto, com participação de 10,5% e recuo de vendas de 4,2%.

Ainda que com participação reduzida (abaixo de 3%), vários grupos chineses registraram crescimento explosivo ano a ano: BYD mais que duplicou vendas, Chery quase quadruplicou e Leapmotor — parceiro da Stellantis — teve expansão superior a seis vezes. Esses movimentos refletem uma calibragem de oferta e estratégias comerciais agressivas no mercado europeu.

Em suma, o panorama apontado pela ACEA desenha uma economia automotiva em fase de reengenharia: os incentivos funcionam como uma bancada de teste para a eletrificação, enquanto marcas consolidadas e novos entrantes reconfiguram a corrida por participação. A leitura para investidores e executivos é clara: a aceleração das vendas elétricas exige ajustes estratégicos rápidos — uma calibragem fina do produto, canais e pricing para manter competitividade quando os freios fiscais e as incertezas macroeconômicas se manifestarem.