Ex-Ilva: Jindal avança com proposta vinculante enquanto Flacks fica em suspenso
Jindal apresenta proposta vinculante pela ex-Ilva; Flacks não entregou integrações exigidas. Situação abre disputa decisiva pela siderúrgica de Taranto.
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Ex-Ilva: Jindal avança com proposta vinculante enquanto Flacks fica em suspenso
Por Stella Ferrari — Novo capítulo na complexa negociação pela venda da ex Ilva, hoje operada como Acciaierie d'Italia em administração extraordinária. Nas últimas horas surgiram dois movimentos decisivos que podem redefinir a configuração final do processo: o silêncio operacional do fundo americano Flacks Group e a jogada direta do grupo indiano Jindal Steel International (JSI).
Primeiro ponto: o Flacks, cuja oferta havia sido considerada superior há meses em comparação com a concorrência, não apresentou até o prazo definido os esclarecimentos substanciais requisitados pelos commissari relativos ao seu plano industrial, aos investimentos previstos e às risorse proprie a impegare — elementos cruciais para validar a proposta.
Em contrapartida, sem aguardar nova rodada formal, o grupo Jindal encaminhou aos commissari, já na véspera, uma "proposta vinculante", segundo fontes próximas à administração extraordinária. Fontes internas asseguram que essa oferta indiana é, em termos avaliativos, comparável àquela do fundo americano, o que força uma reanálise das cartas em jogo.
As duas terne commissariali — responsáveis por Ilva e por Acciaierie —, a pedido também do ministro das Imprese, Adolfo Urso, poderão iniciar a avaliação técnica e econômica em breve. A JSI solicitou encontro com os commissari, possivelmente já na segunda-feira em Roma; de forma similar, o Flacks requisitou audiência depois de não ter apresentado as integrazioni solicitadas.
No conteúdo da proposta vinculante da Jindal constam pontos estratégicos: manutenção operacional de dois altiforni a carbone como solução de transição, até que se atinja a plena descarbonização da siderúrgica de Taranto com forni elettrici até 2030. Nesse quadro, a produção projetada seria de 4 milhões de toneladas com os fornos atuais e, com a entrada dos fornos elétricos (entre Taranto e instalações em Omã), a capacidade chegaria a 6 milhões de toneladas de aço verde.
O modelo apresentado pela Jindal prevê ainda integração operacional com os ativos no Omã — fornos elétricos e processo de prereduzione — em que o país do Golfo forneceria o preridotto, matéria-prima para os fornos elétricos. A cadeia a jusante, nos complexos de Taranto, Genova, Novi Ligure e Racconigi, poderia assim manter atividade estável com volumes ampliados.
O Flacks também havia indicado meta de 6 milhões de toneladas ao regime e cerca de 8.500 empregos, números que muitos analistas setoriais consideram otimistas e que geram reservas por parte dos sindicatos, sobretudo na ausência de detalhe técnico e financeiro. A omissão de integrações solicitadas pode, neste momento, reduzir a atratividade da oferta do fundo americano frente à iniciativa indiana.
No entanto, não se descarta reação do Flacks: a ofensiva da Jindal pode levar o fundo a relançar sua proposta com maior granularidade. Em termos de política industrial e de mercado, estamos diante de uma fase em que a "calibragem" das propostas funcionará como a afinagem de um motor — separando quem entrega tração real e quem promete aceleração sem controle.
Enquanto isso, o processo de due diligence e a interlocução com os commissari e o Governo continuam sendo determinantes. A escolha final terá impacto direto sobre empregos, cronogramas de descarbonização e a estratégia geopolítica de fornecimento de aço na Europa.