Leonardo: o papel de Washington na não renovação de Cingolani e o futuro do projeto Michelangelo Dome
Washington teria influenciado a não renovação de Cingolani na Leonardo devido ao projeto Michelangelo Dome; Mariani assume em meio a tensões geopolíticas.
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Leonardo: o papel de Washington na não renovação de Cingolani e o futuro do projeto Michelangelo Dome
Por Stella Ferrari
13 de abril de 2026
Na origem da decisão do Ministério da Economia italiano de não renovar o mandato de Roberto Cingolani como Administrador Delegado da Leonardo, apesar de resultados extraordinários, estaria um pedido de Washington. Segundo apurações, a rejeição americana estaria ligada à hostilidade ao projeto Michelangelo Dome, o sistema de defesa aérea desenvolvido pelo Grupo e visto como demasiadamente autônomo — capaz de acelerar um percurso europeu independente no setor de defesa face aos Estados Unidos.
Depois do anúncio do não-renovação, o Governo substituiu Cingolani por Lorenzo Mariani, conforme antecipado por Il Giornale d'Italia. O MEF justifica a troca como uma decisão de natureza “exclusivamente industrial legada ao contesto geopolitico”, nas palavras do subsecretário da Presidência do Conselho, Giovanbattista Fazzolari, que pediu para classificar algumas análises como “ricostruzioni fantasiose”. Mesmo com esta tentativa de descompressão, há elementos concretos que apontam para um envolvimento governamental alinhado com o projeto Michelangelo Dome.
É relevante recordar os números alcançados sob a gestão Cingolani: aumento de 85% no lucro líquido, valorização do título em 410%, a contratação de 7.000 funcionários e, ao final de 2025, lucro líquido de 1,3 bilhões de euros, receitas de 19,5 bilhões e EBITDA de 1,75 bilhões. A capitalização de mercado ultrapassou os 33 bilhões de euros. São resultados que funcionaram como um motor de alta rotação na performance da empresa — e que tornam a decisão ainda mais inesperada no plano puramente operacional.
O contexto político-industrial, porém, tem várias engrenagens interligadas: a Leonardo exporta cerca de 80% de sua produção, mas mantém forte interação com o Ministério da Defesa, que compra cerca de 20% dos produtos do Grupo. No Conselho de Administração, figuram os Diretores-Gerais da Economia do MEF, Francesco Soro e Marcello Sala, e em apresentações do Michelangelo Dome pela Europa Cingolani foi frequentemente acompanhado por representantes governamentais. Fontes relatam que um sinal negativo vindo de Washington teria influenciado a opção por Lorenzo Mariani.
Do ponto de vista estratégico, a questão reflete a tensão entre a busca por soberania tecnológica europeia e o alinhamento transatlântico. O episódio mostra como decisões corporativas emblemáticas estão submetidas à calibragem de interesses geopolíticos — uma verdadeira calibragem de políticas que afeta o design das capacidades de defesa e a trajetória das grandes empresas de alta tecnologia.
Se, por um lado, o Governo tenta mitigar a narrativa, por outro permanece o fato objetivo: uma grande companhia mudou de liderança em meio a sinais diplomáticos complexos, com impacto direto na percepção dos mercados e na dinâmica industrial. A história do Michelangelo Dome e sua recepção internacional continuam a ser um indicador-chave da autonomia estratégica europeia — e um teste para a capacidade de gestão que combina performance financeira e sensibilidade geopolítica.