M-345 da Leonardo brilha no Farnborough: revolução no treinamento e eficiência operacional

No Farnborough, o M-345 da Leonardo destaca-se por eficiência, simuladores avançados e redução de custos no treinamento de pilotos.

M-345 da Leonardo brilha no Farnborough: revolução no treinamento e eficiência operacional

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M-345 da Leonardo brilha no Farnborough: revolução no treinamento e eficiência operacional

Por Stella Ferrari — No Farnborough Air Show, a Leonardo destacou o papel central do M-345 como plataforma de treinamento militar que combina simplicidade operacional e economia de uso. Apresentado como peça-chave de um sistema de treinamento integrado, o jato se integra a simuladores em solo e a tecnologias Live-Virtual-Constructive para reproduzir cenários táticos complexos e acelerar a formação dos pilotos.

Giacomo Iannelli, Head of Trainers Project Test Pilot da Aeronautics Division da Leonardo, explicou à AGI que o projeto do M-345 privilegia manutenção e pilotagem fáceis. O avião utiliza comandos diretos, deliberadamente sem fly-by-wire, para manter leveza estrutural e permitir ciclos operacionais muito rápidos — decolar novamente poucos minutos após o pouso — gerando um volume elevado de horas de voo sem custos logísticos exorbitantes.

Outro ponto de destaque é a autonomia do sistema de respiração: ao produzir oxigênio a bordo, o M-345 elimina a dependência de cilindros ou infraestruturas de reabastecimento para o piloto. Isso o torna operacionalmente mais flexível e, como disse Iannelli, mais “arriscável” no sentido tático: pode ser lançado sem suporte logístico pesado, reduzindo o custo por hora e ampliando o envelope de emprego das unidades aéreas.

Em termos de consumo, os números são contundentes. Com um tanque de aproximadamente 700 kg de combustível — nível que para muitos pilotos corresponderia a uma reserva de emergência — o M-345 é capaz de completar missões típicas de treinamento, segundo dados de economia operacional destacados pela Aeronáutica. Trata-se de uma vantagem estratégica que atua como redução dos “freios fiscais” sobre programas de formação: menos custo por hora significa maior previsibilidade orçamentária e capacidade de escala.

A inovação não é só mecânica. Os simuladores da Leonardo, integrados ao conceito Live-Virtual-Constructive, entregam realismo suficiente para minimizar a necessidade de horas em voo real. Com a adoção da navegação baseada em desempenho (PBN — Performance Based Navigation), um aluno em poucas horas é exposto a manobras e procedimentos típicos de caças como Eurofighter e F-35, ou de aeronaves de transporte, reduzindo a curva de adaptação quando sobe para a aeronave operacional.

Além disso, a incorporação de inteligência artificial nas simulações permite recriar situações táticas autênticas a bordo, com cenários programáveis que elevam a qualidade do treinamento. O resultado é inegável: pilotos chegam às unidades operacionais com competências mais maduras, enquanto as Forças Armadas beneficiam-se de economias substanciais no custo por hora de voo.

Do ponto de vista econômico e industrial, o M-345 representa uma aceleração de tendências: oferece à Leonardo um produto competitivo para exportação e um argumento sólido àqueles que calibram políticas de investimento em defesa. Em suma, o aparelho age como um motor de eficiência para a cadeia de formação aérea — reduzindo custos, ampliando escalabilidade e mantendo alta performance operacional.

Como estrategista de mercado, vejo nessa proposta uma combinação rara entre design de políticas industriais e solução técnica: é a calibragem fina entre necessidade operacional e disciplina orçamentária, com impacto direto sobre a competitividade internacional do setor de defesa.