Marcinelle: Inca e Cgil promovem duas dias de homenagens pelos 70 anos e reabertura de obra restaurada

Inca e Cgil celebram 70 anos de Marcinelle com inauguração de obra restaurada e debate sobre memória e segurança no trabalho.

Marcinelle: Inca e Cgil promovem duas dias de homenagens pelos 70 anos e reabertura de obra restaurada

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Marcinelle: Inca e Cgil promovem duas dias de homenagens pelos 70 anos e reabertura de obra restaurada

Por Stella Ferrari — Em um gesto de memória institucional e de vigilância sobre as condições de trabalho, Inca e Cgil participam em Marcinelle de duas jornadas de iniciativas que marcam o 70º aniversário do incêndio da mina de Bois du Cazier. A tragédia de 8 de agosto de 1956, quando um incêndio no poço de Marcinelle ceifou 262 vidas — entre elas 136 trabalhadores italianos — continua servindo como referência para a discussão sobre direitos laborais e segurança no trabalho.

No primeiro dia de programação, o Inca inaugura oficialmente o monumento 'Où la lampe passe, le mineur doit passer', obra do mestre Antonio Nocera doada em 2006 e recentemente submetida a um restauro meticuloso para reassentar-se no Memorial. A peça, conhecida também como Il ventre della terra, permanece simbólica: a epígrafe sintetiza a condição do trabalhador que segue a luz em ambientes hostis, muitas vezes sem garantias de retorno. A devolução ao sítio museal reforça a necessidade de preservar a memória física como instrumento de tutela.

Durante o evento será também apresentado o volume "Marcinelle 1956-2026. Settant'anni tra memoria, diritti e tutela", que reúne análises e testemunhos sobre as transformações nas práticas laborais e nos mecanismos de proteção social. Intervêm Colette Ista, diretora do Museo Bois du Cazier, Pier Luigi Gentile, Cônsul-Geral da Itália em Charleroi, Carlo Briscolini e Vincent Pestieau, secretários regionais do sindicato belga Fgtb, Vincenzo Sgalla, presidente do Inca Bélgica, e Michele Pagliaro, presidente do Inca Cgil. As conclusões ficaram a cargo de Maurizio Landini, secretário-geral da Cgil.

Na manhã de 8 de agosto, a delegação do Inca e da Cgil soma-se à cerimônia oficial de lembrança, com a presença de representantes das instituições italianas e belgas. Mas, como lembra o Patronato, os 70 anos de Marcinelle "não são apenas uma data a celebrar"; tratam-se de um ponto de observação para medir quanto daquela mina ainda persiste hoje em canteiros, em cadeias de subcontratação e em práticas que expõem trabalhadores. Para um patronato como o Inca, a memória é base para avaliar avanços em segurança no trabalho e direitos — e para apontar lacunas que permanecem uma batalha ativa.

Além disso, o Patronato recorda outro marco menos citado: o acordo ítalo-belga de 23 de junho de 1946, que em 2026 completa 80 anos. A chamada fórmula dos "uomini contro carbone" trouxe cerca de 50 mil trabalhadores italianos em troca de carvão a preço preferencial — um contrato entre Estados que materializou, em termos humanos e econômicos, a relação de mão de obra e matéria-prima do pós-guerra.

O restauro da escultura de Nocera, exposta por duas décadas aos elementos, simboliza a necessidade de calibrar memórias e políticas: assim como um motor precisa de manutenção para preservar a performance, a lembrança deve ser afinada para que a sociedade retenha lições práticas sobre proteção e dignidade do trabalho. Em Marcinelle, a arquitetura do passado e o desenho das políticas do presente se encontram para medir a adequação das proteções sociais e a robustez dos freios que impedem novas tragédias.

Em suma, as duas jornadas promovidas por Inca e Cgil no Bois du Cazier combinam homenagem e diagnóstico — um convite a transformar memória em ação contínua, em vez de um tributo estagnado.