Mercado da arte ultrapassa 2,5 trilhões; Banca Generali aposta em transformação até 2030
Mercado da arte vale +2,5 trilhões; Banca Generali integra arte ao patrimônio, aposta em tokenização e em gestão para famílias e Next Gen.
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Mercado da arte ultrapassa 2,5 trilhões; Banca Generali aposta em transformação até 2030
Por Stella Ferrari
O mercado da arte global já vale mais de 2,5 trilhões e conta com mais de 120 fundos dedicados, em uma dinâmica que, segundo projeções, pode levar o setor a alcançar cerca de 3,5 trilhões até 2030. Em termos de alocação patrimonial, famílias ao redor do mundo destinam, em média, cerca de 20% de sua riqueza a esse segmento, afirmando a crescente relevância da arte como componente de portfólios sofisticados.
Esses números foram destacados por Andrea Ragaini, vice-diretor geral da Banca Generali, durante a apresentação de duas novas obras contemporâneas da coleção BG ArTalent, exibidas no histórico Palazzo Pusteria, em Milão, no contexto da Milano Art Week 2026. Ragaini sublinhou que, apesar do potencial, o cenário italiano ainda tem um mapeamento insuficiente: a pesquisa anual do Banco da Itália, que identifica cerca de 12 trilhões de riqueza das famílias privadas, não contempla explicitamente os investimentos em obras de arte.
Ragaini destacou também que, na Itália, em oito de cada dez casos, as obras chegam às famílias por sucessão. Essa realidade expõe uma lacuna de governança: muitas famílias não estão estruturadas para gerir ou valorizar corretamente esses ativos. Em resposta, a instituição criou um time interno dedicado a acompanhar os clientes na conservação, avaliação e eventual monetização das peças, alinhando sensibilidade cultural e estratégia patrimonial.
Dados citados pelo executivo mostram que hoje uma em cada cinco famílias privadas italianas declara ter adquirido obras com objetivo de investimento. No mix do portfólio, pinturas representam cerca de 40%, esculturas 14% e 14% correspondem a digital art. Tecnologias emergentes, como a tokenização de ativos, são vistas como ferramentas capazes de acelerar estruturas compartilhadas de investimento (club deals), democratizando o acesso e trazendo liquidez a ativos historicamente ilíquidos.
Como estrategista, interpreto esse movimento como uma calibragem fina do motor da gestão patrimonial: a arte assume papel que vai além da emoção e da memória — tornou-se também valor e investimento. A prioridade é promover diálogo entre a dimensão afetiva e a dimensão financeira, integrando a arte ao patrimônio global do cliente e consolidando a ideia de arte como asset class. Hoje, cerca de 20% das private banks italianas já dispõem de equipes dedicadas; trata-se de uma aceleração de tendência que exige design de políticas internas e governança robusta.
Ragaini observa, por fim, que as novas gerações — a Next Gen — tratam a arte como linguagem identitária, experiência e impacto cultural. Essa sensibilidade está redesenhando preferências de investimento, do design aos passion assets e às formas digitais, exigindo instrumentos que conciliem rendimento, identidade e legado cultural.
Em suma, o mercado da arte se apresenta hoje como um motor de sofisticação patrimonial: quem souber ajustar a calibragem entre emoção e retorno terá vantagem competitiva em um mercado em rápida aceleração.