Mercado de jogos cresce em 2025, mas Estado não vê aumento das receitas
Mercado de jogos cresce em 2025, mas receitas do Estado caem; digital domina e comprime o rendimento fiscal. Análise de Unimpresa e impactos para as finanças.
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Mercado de jogos cresce em 2025, mas Estado não vê aumento das receitas
Por Stella Ferrari — O mercado de jogos italiano registrou em 2025 uma aceleração comercial significativa, mas sem que isso se traduzisse em ganhos para as contas públicas. Os dados do Centro Studi di Unimpresa mostram uma dinâmica de mercado que lembra a calibragem fina de um motor: potência crescente para os operadores, porém com os freios fiscais funcionando de forma diferente.
Em 2025 a arrecadação bruta (raccolta lorda) atingiu 165,3 bilhões de euros, um aumento de 7,9 bilhões sobre os 157,4 bilhões de 2024 (+4,8%) e de 17,6 bilhões frente aos 147,7 bilhões de 2023 (+11,9% no biênio). Apesar da expansão da base de apostas, as receitas do Estado ficaram em 11,47 bilhões de euros, levemente abaixo dos 11,56 bilhões de 2024 (-0,7%) e dos 11,63 bilhões de 2023 (-1,3% no triênio).
Com esse movimento, o rendimento erarial bruto caiu de 7,9% em 2023 para 6,9% em 2025, enquanto o rendimento líquido, calculado sobre a arrecadação excluindo as premiações, recuou de 55,9% para 50,8%, atingindo os níveis mais baixos dos últimos anos. É uma transformação estrutural: a mudança tecnológica e de produto tem alterado o desenho fiscal do setor.
O canal digital foi o grande motor da expansão. Em 2025 os jogos online superaram pela primeira vez 100,8 bilhões de euros de arrecadação, representando mais de 60% do total nacional, ao passo que o canal físico caiu abaixo dos 65 bilhões. A migração para o digital, aliada a tipos de jogo com prelievo fiscale (retenção fiscal) menor, está comprimindo o rendimento do setor — como se houvesse uma nova arquitetura de transmissão de torque entre operadores e Estado.
Os jogos de habilidade a distância — poker online, cassinos virtuais e jogos de cartas — somaram 81,2 bilhões, quase metade do mercado, porém geraram ao Estado um rendimento bruto de apenas 1,1%, ou cerca de 875 milhões de euros (7,6% do total arrecadado pelo fisco no setor). No extremo oposto, as slot machines e as videolottery, com 31,5 bilhões de arrecadação, produziram mais de 5 bilhões de receita fiscal, quase 44% do recolhimento do setor.
As premiações distribuídas aos jogadores alcançaram 143,5 bilhões de euros, o equivalente a 86,8% da arrecadação, e o margem bruta do setor ficou em 21,9 bilhões. Dessas margens, 11,5 bilhões foram para o Erário e 10,4 bilhões constituíram o margem operacional líquido da cadeia — concessionários, gestores, distribuidores, tabacarias e agenciadores — com alta de cerca de 400 milhões em relação a 2024.
Em suma, a expansão recente serviu para impulsionar os lucros dos operadores privados, enquanto o balanço público permaneceu praticamente estagnado. O mercado também passa por um processo de concentração, com grandes operadores adquirindo concessionárias menores, reforçando o peso do canal online e centralizando capacidades.
O ano de 2025, primeiro de plena aplicação da reforma dos jogos a distância e das alterações fiscais introduzidas pela lei orçamentária, mostra um setor em forte crescimento comercial, porém cada vez menos rentável para as finanças públicas. No último triênio a arrecadação subiu 17,6 bilhões, as premiações 16,4 bilhões e a margem da cadeia 1,1 bilhão — um desenho que exige uma nova calibragem de políticas para reequilibrar o motor econômico sem tolher a inovação digital.