Salário justo: Conflavoro e Capobianco pedem contrato mais aplicado e certificação de equivalência

Conflavoro pede contrato mais aplicado e certificação de equivalência para garantir o salário justo, reduzir litígios e proteger o pluralismo sindical.

Salário justo: Conflavoro e Capobianco pedem contrato mais aplicado e certificação de equivalência

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Salário justo: Conflavoro e Capobianco pedem contrato mais aplicado e certificação de equivalência

Em audiência na Comissão Lavoro da Câmara, a Conflavoro submeteu uma leitura técnica e estratégica do decreto Lavoro, elogiando a intenção geral, mas advertindo para riscos práticos na definição do salário justo. O presidente nacional, Roberto Capobianco, alertou que a fórmula da “rappresentatività comparativa” pode abrir um vasto campo de contencioso se não for acompanhada por disciplina aplicativa clara.

“Pedimos ao Parlamento um sistema ancorado em três pilares: transparência, certificação da negociação de qualidade segundo o princípio da equivalência, e certeza do direito.” Capobianco ressaltou que, embora seja sensato condicionar incentivos públicos a contratos coletivos de qualidade, a introdução de um critério baseado em organizações «comparativamente mais representativas» carece de parâmetros legais objetivos, dada a ausência de uma implementação disciplinar do art. 39 da Constituição.

Atualmente, explicou o presidente da Conflavoro, o ordenamento já dispõe de seis parâmetros distintos para identificar o CCNL de referência, verificados por entidades diferentes e com metodologias díspares; o artigo 7 do decreto acrescentaria um sétimo critério sem integração suficiente. Essa fragmentação enfraquece o combate ao dumping contratual e deixa o pluralismo sindical em risco, mais teórico do que prático.

Como alternativa técnica, Capobianco propõe deslocar o baricentro para parâmetros empíricos verificáveis pelos dados do mercado: “Um parâmetro objetivo, tanto para os CCNL quanto para os instrumentos bilaterais correlatos, contrasta práticas predatórias e protege o pluralismo na prática.” A solução sugerida inclui a criação de um selo — o chamado “bollino blu” em estudo no CNEL — e uma certificação preventiva de equivalência, que dariam certeza ex ante e reduziríam o contencioso ex post, alinhando o salário justo ao sistema de contratos públicos.

Concretamente, a proposta da Conflavoro traduz-se em três emendamentos:

  • Benchmark objetivo: adotar o contrato mais aplicado por setor, identificado via o novo arquivo CNEL-INPS, em substituição à representatividade comparada.
  • Equivalência contratual: ancorar a equivalência aos parâmetros taxativos já previstos no Código dos contratos públicos.
  • Paridade jurídica: reconhecer igualdade jurídica para entidades bilaterais, fundos sanitários e fundos interprofissionais constituídos em CCNL equivalentes, em coerência com os arts. 39 e 41 da Constituição.

Na proposta, antecedendo os critérios, prevê-se um sistema de certificação voluntária confiado a terceiros qualificados — Universidades, Inspetoria do Trabalho, entidades bilaterais, o CPO dos Consultores de Trabalho e organismos de asseveração como a Asse.Co — seguindo o modelo das Comissões de certificação ex D.Lgs. 276/2003. Essa arquitetura institucional visa inserir uma calibragem técnica — como a de um motor bem afinado — que reduza atritos jurídicos e acelere a implementação de políticas salariais coerentes com os mercados e os contratos públicos.

Em síntese, a posição de Capobianco é pragmática: preservar a liberdade de negociação coletiva mantendo mecanismos objetivos de verificação e certificação para garantir que o salário justo não se transforme em fonte de disputas judicializadas, mas sim em instrumento funcional ao bom design das políticas laborais e à estabilidade dos incentivos públicos.