No tribunal, Sam Altman rebate acusações de Musk e defende a transição comercial da OpenAI
Sam Altman nega acusações de Elon Musk e explica a transição comercial da OpenAI, defendendo governança e o vínculo com a fundação sem fins lucrativos.
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No tribunal, Sam Altman rebate acusações de Musk e defende a transição comercial da OpenAI
Em um dos momentos mais aguardados do processo movido por Elon Musk contra OpenAI, o CEO Sam Altman subiu ao banco dos testemunhos em um tribunal da Califórnia para refutar as acusações de que teria traído a missão filantrópica original da organização responsável pelo ChatGPT. Com voz firme e estratégia clara, Altman descreveu Musk como um cofundador preocupado em exercer controle pessoal e poder sobre a trajetória da empresa.
Altman foi o último entre os depoentes de destaque — depois de Elon Musk, o presidente da OpenAI Greg Brockman e o CEO da Microsoft, Satya Nadella — a relatar a gênese e a evolução da startup que se tornou referência em inteligência artificial generativa. O empresário de 41 anos contestou ponto a ponto a narrativa de que a organização teria sido desviada de um modelo 100% sem fins lucrativos para interesses puramente comerciais.
Na base do litígio está a alegação de Musk de que Altman e Brockman teriam afastado a OpenAI de sua missão filantrópica e utilizado indevidamente os 38 milhões de dólares que ele aportou após a fundação, em dezembro de 2015. Em contrapartida, Altman afirmou estar "muito orgulhoso do trabalho realizado, do valor criado e do apoio que a fundação recebe", mantendo que "quanto melhor for o desempenho da OpenAI, melhor será para a organização sem fins lucrativos" que permanece vinculada ao ecossistema.
Segundo o CEO, a necessidade de criar uma filial comercial surgiu já em 2017 para viabilizar a captação das somas necessárias ao pagamento de engenheiros e capacidade computacional. O triunfo do sistema contra humanos no jogo Dota 2, naquele mesmo agosto, demonstrou o potencial da tecnologia e atraiu investidores do Vale do Silício. Altman relatou que, na época, Musk chegou a pedir "90% das quotas" antes de amenizar a posição. "O fato de ele se recusar a firmar por escrito um compromisso de não exercer controle de longo prazo me deixava muito desconfortável", disse Altman, ressaltando que não era adequado que uma possível AGI ficasse sob o controle de uma única pessoa.
Do lado de Musk, a narrativa é de despedida voluntária: ele teria deixado a iniciativa por vontade própria e seguido desenvolvendo suas ambições em IA com o laboratório xAI, hoje integrado à SpaceX. Altman também evoca que, ao iniciar a transição comercial em 2019, Musk teria afirmado que havia "0% - não 1% - de chances de sucesso".
Os advogados do grupo de Musk tentaram abalar a defesa de altruísmo da OpenAI ao trazer à tona passagens de um diário pessoal de Greg Brockman, onde ele admitiria o desejo de "ganhar dinheiro". Esse ponto foi explorado durante os interrogatórios, em uma tentativa de mostrar que interesses comerciais sempre fizeram parte do projeto.
O episódio judicial expõe, mais do que disputas pessoais, tensões fundamentais sobre o desenho institucional da pesquisa em IA — uma espécie de calibragem entre missão pública e viabilidade privada. A audiência mostrou que a governança da tecnologia funciona como um motor cuja regulagem define se a aceleração das inovações será coletiva ou concentrada. Para investidores e reguladores, a decisão do tribunal poderá redefinir os freios e a direção desse motor.
O processo segue em Oakland, próximo a São Francisco, e deve continuar a revelar detalhes sobre as escolhas estratégicas que transformaram uma iniciativa filantrópica em um dos principais vetores da economia digital global.