SpaceX desembarca na Wall Street: capitalização supera US$2,1 tri e Musk vira primeiro trilionário

SpaceX estreia na bolsa com valor de US$2,1 tri; Elon Musk se torna primeiro trilionário. IPO levantou US$75 bi e marcou estreia dupla no Nasdaq.

SpaceX desembarca na Wall Street: capitalização supera US$2,1 tri e Musk vira primeiro trilionário

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SpaceX desembarca na Wall Street: capitalização supera US$2,1 tri e Musk vira primeiro trilionário

Em poucas horas de negociação, SpaceX redesenhou o mapa financeiro de Wall Street e entregou a Elon Musk um marco inédito: o status de primeiro trilionário da história. A valorização da empresa no IPO elevou a participação privada do fundador para cerca de US$866 bilhões, o suficiente para empurrar seu patrimônio total acima da marca de US$1 trilhão — um montante superior ao produto interno bruto anual de países como Suíça ou Polônia.

O papel, negociado sob o ticker SPCX, abriu em forte alta, ultrapassando os US$170, com ganho superior a 25% frente ao preço de emissão fixado em US$135, e encerrou perto de US$160. No pico do pregão, a capitalização chegou a cerca de US$2,1 trilhões, bem acima dos US$1,77 trilhões estimados na oferta pública, catapultando a SpaceX para a lista das maiores companhias cotadas globalmente.

O resultado isolou ainda mais Musk na liderança do ranking de fortunas: atrás dele aparece, a larga distância, Larry Page, cofundador da Alphabet, com patrimônio estimado em aproximadamente US$304 bilhões.

A operação demonstrou apetite robusto dos investidores por um IPO sem precedentes: foram colocadas 555,6 milhões de ações, arrecadando cerca de US$75 bilhões — o triplo do recorde anterior, detido desde 2019 pela Saudi Aramco. A avaliação da empresa supera em mais de cem vezes a receita anual, uma relação atípica para os parâmetros tradicionais dos mercados acionários, o que ressalta tanto a ousadia da aposta dos investidores quanto a visão disruptiva embutida no negócio.

Ao vivo de Starbase, no Texas, Musk discursou para funcionários: “Dava à SpaceX menos de 10% de chance de dar certo, mas começamos em um galpão e fizemos o maior IPO da história”. A CEO e presidente operacional, Gwynne Shotwell, participou da cerimônia em Nova York — um símbolo técnico e simbólico: pela primeira vez na história do Nasdaq a abertura ocorreu simultaneamente em dois locais, no Nasdaq de Nova York e no novo Nasdaq Texas, inaugurado em março.

Milhares de empregados celebraram nas duas sedes, enquanto fãs e curiosos se reuniram em Times Square para acompanhar o desfecho positivo do lançamento. A estreia marca uma nova etapa para a empresa, com foco em projetos de larga escala como a ampliação do Starlink e o desenvolvimento da Starship, o grande foguete reutilizável da companhia.

Sobre rumores de uma possível fusão com a Tesla, Shotwell comentou à CNBC que uma junção poderia, de fato, “tornar a vida de Elon um pouco mais simples”, mas reforçou que a prioridade estratégica permanece no avanço da Starship, na expansão de Starlink e nas missões espaciais. As duas empresas já compartilham recursos e talentos, inclusive engenheiros, e Musk integra os conselhos de ambas, apoiado por uma estrutura acionária de dupla classe que preserva controle.

Do ponto de vista macroeconômico, o IPO da SpaceX funciona como uma combinação de alta performance e engenharia financeira: move o motor da economia dos mercados de capital para um patamar de ambição orbital, acelerando tendências e forçando recalibragens (ou freios) em políticas de valuation, setor tecnológico e investimentos de risco. Para investidores e formuladores, trata-se de uma nova peça no tabuleiro global, que exige afinação fina na gestão de portfólios e na modelagem de risco.

Em resumo, o debut da SpaceX não foi apenas um evento corporativo; foi uma demonstração de potência estratégica que realinha referências de valor e mostra como a convergência entre tecnologia espacial e mercados financeiros pode redefinir hierarquias de riqueza em escala planetária.