Da Maturidade italiana ao Gaokao chinês: como funcionam os exames finais pelo mundo

Como diferentes países encaram o exame final: do rigor do Gaokao à festa sueca, entenda estruturas e impactos da maturidade pelo mundo.

Da Maturidade italiana ao Gaokao chinês: como funcionam os exames finais pelo mundo

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Da Maturidade italiana ao Gaokao chinês: como funcionam os exames finais pelo mundo

Como uma luz que ilumina rotas distintas, o rito de passagem escolar — o exame final — revela culturas educativas muito diferentes pelo planeta. Enquanto na Itália a Maturità se apresenta com novas regras e um oral decisivo, na China o Gaokao concentra em poucos dias o destino universitário de milhões; e em outros países há tanto provas implacáveis quanto celebrações comunitárias que marcam o fim de uma etapa.

No nosso país, a Maturità deste ano abrirá, como de costume, com duas provas escritas nacionais: o tema de Italiano e a prova sulle materie d'indirizzo. O colóquio oral que se segue foi profundamente renovado pela reforma: a chamada “scena muta” — a incapacidade de rispondere — acarreta a bocciatura automática, independentemente da pontuação anterior. O exame não parte mais de spunti casuali, e sim de uma apresentação inicial do estudante, seguida por um foco em quatro disciplinas previamente escolhidas. A comissão avaliadora foi reduzida a cinco membros (dois internos, dois externos e um presidente), e o candidato precisará expor experiências de Formazione Scuola Lavoro e competências em Educação Cívica.

Do outro lado do mundo, a China para por causa do Gaokao — o National College Entrance Examination — que envolve cerca de 13 milhões de candidatos. Para muitos jovens, essas quarenta e oito horas decidem possibilidades acadêmicas e profissionais. O exame básico tradicionalmente inclui língua e literatura chinesa, matemática (famosa por questões lógicas de alta complexidade) e uma língua estrangeira. Após reformas, muitos prováveis candidatos enfrentam o esquema "3+1+2": escolher entre matérias principais como física ou história e complementar com duas escolhas entre química, biologia, geografia e ciências políticas. A pressão é intensa: rotinas de estudo que podem chegar a catorze horas diárias, famílias investindo fortemente em aulas particulares e a opção — para quem fracassa — de um ano inteiro de repetição, o famoso fudu.

A Coreia do Sul partilha essa atmosfera de rigor extremo com o seu exame nacional de admissão — também conhecido por criar jornadas de estudo intensas e uma cultura de preparação quase monástica. Em contraponto, países nórdicos como a Suécia misturam exigência avaliativa e celebrações: a graduação costuma vir acompanhada de festas comunitárias, desfiles e a simbólica entrega de chapéus, um momento de alívio e de encontro social após anos de estudo.

Outras realidades: no Reino Unido, o sistema de A-levels e exames finais tende a definir especializações; na Alemanha o Abitur combina trabalhos escolares e provas finais; na França o baccalauréat segue como um rito acadêmico e social. Nos Estados Unidos, o diploma de high school convive com testes padronizados (SAT/ACT), que em muitos lugares tornam-se opcionais ou parte de um conjunto mais amplo de critérios de seleção.

O que une essas paisagens tão diversas é o valor simbólico do exame: mais do que notas, tratam-se de portas que se abrem e de espelhos que reflectem prioridades sociais. Para quem atravessa esse momento, é vital lembrar que, mesmo sob luzes intensas, é possível semear resiliência e escolhas informadas. A jornada educativa, afinal, é também sobre tecer laços, cultivar saberes e iluminar novos caminhos — e nem sempre uma prova única define todo o percurso.

Na curadoria da Espresso Italia, vemos esses rituais como sinais de transformação: testar, celebrar, ajustar. Seja com provas extenuantes ou com festas libertadoras, cada sistema ensina algo sobre como uma sociedade constrói seu futuro.