Alessandro Gassmann apoia boicote aos David di Donatello em defesa das maestranze

Alessandro Gassmann apoia boicote aos David di Donatello em defesa das maestranze do cinema e pede visibilidade para equipes técnicas.

Alessandro Gassmann apoia boicote aos David di Donatello em defesa das maestranze

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Alessandro Gassmann apoia boicote aos David di Donatello em defesa das maestranze

Por Chiara Lombardi — Em um gesto que transforma um tapete vermelho em espelho do nosso tempo, Alessandro Gassmann voltou a chamar atenção para a vulnerabilidade de quem realmente mantém o cinema vivo: as equipes técnicas. Aos 61 anos, o ator e diretor usou o Instagram para declarar apoio ao movimento "Siamo ai titoli di coda" e à proposta de boicotar a cerimônia dos David di Donatello como forma de solidariedade às maestranze.

No seu texto, Gassmann lembra que, por trás das luzes e dos aplausos, existem profissionais cujo trabalho é especializado e essencial — e que, muitas vezes, vivem com salários médios ou baixos e sem garantias de continuidade. Ele cita diretamente categorias como maquinistas, eletricistas, costureiras, cabeleireiros, maquiadores, runners, armadores, transportadores, equipes de produção, dublês e tantos outros que, sem eles, o cinema simplesmente não existiria.

“Quando se celebram prêmios, essas pessoas não estão”, escreveu o ator. O recado é incisivo: os red carpets celebram estrelas e nomes famosos — entre os quais Gassmann reconhece estar incluído — mas raramente colocam em primeiro plano quem torna possível a narrativa. Para ele, é chegado o momento de os mais afortunados pensarem em quem os permite sê-lo. Não ser convidado para a competição este ano permitiu-lhe falar com mais franqueza: “penso que há pouco para comemorar”.

O apelo tem dupla dimensão: simbólica e política. Simbolicamente, boicotar os David di Donatello é um gesto de visibilidade para as maestranze, um reframe do roteiro público em que o foco se desloca das celebridades para o tecido humano do set. Politicamente, é uma cobrança por melhores condições e reconhecimento trabalhista em uma indústria que, culturalmente, é espelho e produto de uma nação civilizada.

O movimento "Siamo ai titoli di coda" vem ganhando repercussão nas redes e entre profissionais do setor, propondo que o silêncio do palanque seja, nesta altura, uma forma de barulho: um barulho coletivo em defesa de direitos. Gassmann não é o único a perceber que, em tempos de desigualdade e precariedade, os símbolos importam — e que os prêmios podem ser usados como alavanca para mudança.

Vale lembrar que, no âmbito das estreias, sai nos cinemas em 16 de abril o filme "IL CASO 137", de Dominik Moll, apresentado em competição em Cannes e protagonizado pela premiada Léa Drucker. A lembrança reforça o contrassenso: enquanto o cinema se expõe em festivais e prêmios, parte de sua máquina segue sem a devida proteção.

O apelo de Alessandro Gassmann é, portanto, também um convite à autorreflexão do setor: quem merece o foco? Qual o roteiro oculto que perpetuamos quando aplaudimos apenas quem ocupa a frente das câmeras? Em vez de um verniz de celebração, propõe-se um enquadramento que devolva rosto e voz a quem compõe a imagem.